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Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Santiago Peña renuncia, mas impeachment no Paraguai continua

O Congresso ainda não analisou o pedido; Pedro Alliana já exerce funções presidenciais, enquanto o processo segue para julgamento no Senado.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Plenário do Congresso do Paraguai durante uma sessão política. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Plenário do Congresso do Paraguai durante uma sessão política.
Resumo em 30 segundos

Santiago Peña anunciou a renúncia à Presidência do Paraguai em meio à crise provocada pela liquidação do Ueno Bank, do qual foi acionista até 2025. O Congresso não concluiu a análise do pedido, e a Câmara decidiu prosseguir com o impeachment. O vice-presidente Pedro Alliana passou a exercer funções presidenciais.

Santiago Peña renunciou à Presidência do Paraguai nesta quinta-feira, em meio à crise política e financeira provocada pela liquidação do Ueno Bank, instituição da qual foi acionista até 2025. O vice-presidente Pedro Alliana passou a exercer funções presidenciais, mas o Congresso ainda não concluiu a análise da renúncia, e o processo de impeachment contra Peña deve continuar.

A sessão conjunta que examinaria o pedido foi suspensa depois que parlamentares do Partido Colorado deixaram o plenário. Sem votos suficientes para aprovar a renúncia e dar posse formal a Alliana, o Congresso não tomou uma decisão. A Câmara, porém, decidiu dar prosseguimento ao impeachment, que seguirá para análise do Senado. Para destituir Peña, dois terços dos senadores precisam considerá-lo culpado.

As acusações incluem conflito de interesses, manipulação regulatória, acobertamento e uso indevido de recursos previdenciários. A oposição afirma que a aceitação da renúncia permitiria que Peña se tornasse senador vitalício, condição prevista para ex-presidentes, e obtivesse imunidade parlamentar. Mesmo após a saída anunciada, portanto, ele ainda pode ser destituído pelo Senado.

O Ueno Bank foi liquidado na terça-feira, após problemas que já eram investigados antes da intervenção. Em junho, inspetores do Banco Central identificaram empréstimos de risco a empresas ligadas aos proprietários da instituição e despesas registradas indevidamente como ativos. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou na quarta-feira, a pedido de Peña, em meio ao agravamento da crise.

A instituição cresceu rapidamente e chegou a cerca de três milhões de clientes, quase 9% do estoque de crédito do país e a posição de maior emissor de cartões de crédito no mercado paraguaio. Até outubro, informava ter aproximadamente US$ 800 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos previdenciários e de saúde e valores ligados às grandes hidrelétricas paraguaias. Analistas avaliam que a liquidação não representa risco sistêmico para o setor bancário, mas o caso levantou questionamentos sobre a fiscalização.

No Brasil, a principal preocupação é que a crise provoque instabilidade social e política no país vizinho. O governo brasileiro espera manter uma relação pragmática com Alliana, que pertence ao mesmo partido de Peña, e preservar a cooperação em áreas como o combate ao crime organizado. Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também avaliam que a saída de Peña reduz a influência regional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas não esperam uma mudança imediata na orientação do Paraguai.

Fontes: Valor Econômico, Gazeta do Povo, O Globo

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