Partido Democrata conquista Congresso e abre diálogo com o Brasil
Mauro Vieira e Marco Rubio devem discutir pendências em Paris na próxima semana, mas o governo brasileiro não prevê mudança imediata nas tarifas dos EUA.
Resumo em 30 segundos
A vitória democrata nas eleições de meio de mandato deu ao partido maioria na Câmara e no Senado. O governo brasileiro vê espaço para tratar de questões bilaterais, mas não espera mudanças imediatas na postura de Donald Trump nem a revogação das tarifas. Mauro Vieira e Marco Rubio devem se reunir em Paris na próxima semana.
A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, na terça-feira (3), deu aos democratas a maioria na Câmara e no Senado e abriu, na avaliação do governo Lula, espaço para uma possível normalização das relações com o Brasil. Na próxima semana, o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, devem se reunir em Paris, à margem da cúpula de ministros das Relações Exteriores do G7, marcada para segunda (9) e terça-feira (10).
O governo brasileiro considera que a mudança no Congresso pode ampliar a margem política para tratar de temas bilaterais, mas não espera uma alteração imediata da postura de Donald Trump. A avaliação é que a relação seguirá pragmática e que os Estados Unidos não devem revogar no curto prazo as tarifas impostas a produtos brasileiros. Também não há previsão de encontro ou telefonema entre Lula e Trump.
A reunião entre Vieira e Rubio poderá abordar pendências e buscar avanços na relação. Entre elas está o agrément para Daniel Perez, indicado por Washington para ser embaixador no Brasil. Agrément é a autorização do país anfitrião para que um diplomata indicado por outro governo assuma o posto. O Brasil também espera que os Estados Unidos restabeleçam o visto de múltiplas entradas da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
A revogação do visto ocorreu em meio a uma disputa diplomática relacionada à negativa brasileira, em julho, de conceder vistos a dois diplomatas americanos que pretendiam visitar o país antes das eleições. A expectativa no governo brasileiro é que a solução dessa questão ajude a retomar a normalidade entre os dois países.
A derrota republicana também é vista no Planalto como um enfraquecimento de aliados do bolsonarismo no Congresso americano. O governo avalia que isso pode abrir espaço para a retomada de investigações nos Estados Unidos envolvendo brasileiros, como Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por participação na trama golpista e deixou o Brasil em setembro de 2025, antes de começar a cumprir a pena.
Aliados do governo, porém, não esperam mudanças no curto prazo nas situações de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e de brasileiros foragidos pelos atos de 8 de Janeiro. Um diplomata brasileiro avalia que uma alteração mais relevante dependeria também de uma vitória democrata na eleição presidencial de 2028.
Trump atribuiu a derrota republicana à sua ausência da cédula eleitoral e disse que isso dificultou levar eleitores às urnas. Seu vice, J. D. Vance, apontou a guerra no Irã como principal motivo do resultado. As eleições de meio de mandato renovam a composição do Congresso no meio do período presidencial e definem o equilíbrio de forças legislativas para os dois anos seguintes.