Crise do banco Ueno abala confiança e pressiona governo Peña
O presidente foi acionista do grupo controlador até março de 2025; a crise também levou à saída do chefe do Banco Central, detenções e bloqueio de ativos.
Resumo em 30 segundos
A crise do banco Ueno abalou a confiança nas instituições paraguaias e ampliou a pressão sobre o governo de Santiago Peña. O presidente foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. O episódio também provocou a saída do presidente do Banco Central, detenções de executivos e congelamento de ativos.
A crise do banco Ueno, no Paraguai, provocou uma onda de desconfiança nas instituições e atingiu o presidente Santiago Peña, em meio a questionamentos sobre as relações entre a instituição financeira e o governo. O episódio levou à saída do presidente do Banco Central, à detenção de executivos e ao congelamento de ativos, segundo informações publicadas sobre o caso.
Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025. Carlos Carvallo, que deixou a presidência do Banco Central durante a crise, havia comandado anteriormente a instituição financeira. Essas conexões colocaram no centro do debate a proximidade entre autoridades e grupos empresariais.
O abalo também afetou a base política do presidente. Setores do Partido Colorado, ao qual Peña pertence, retiraram apoio ao governo, incluindo o ex-presidente Horacio Cartes, que já foi acusado de crimes de corrupção no Paraguai e no exterior. A crise se agravou rapidamente e alterou a percepção de estabilidade política que o país vinha cultivando.
O episódio ocorreu após anos em que o Paraguai buscou se apresentar como um destino favorável a investimentos, com impostos baixos e regras econômicas liberais. O ambiente atraía empresas e brasileiros, inclusive interessados na expansão de negócios de tecnologia financeira. A crise do Ueno, porém, expôs dúvidas sobre a capacidade de fiscalização e controle das instituições diante de grandes grupos econômicos.
A situação também reacendeu preocupações sobre a concentração de influência política e empresarial no país. O Paraguai tem uma história de fragilidade institucional que remonta à ditadura de Alfredo Stroessner, que governou de 1954 a 1989. O pesquisador Michael Shterenshis descreveu, em estudo publicado em 2025, uma democracia com governabilidade frágil e diferentes centros de poder em disputa.
O Ueno é controlado pelo Grupo Vázquez; Peña foi acionista desse grupo, mas deixou de sê-lo em março de 2025. As informações sobre o caso não indicam que o banco seja estatal. A crise não significa, por si só, que o Paraguai tenha deixado de ser uma economia atraente, mas o colapso de uma instituição de grande presença no país trouxe à tona os riscos de associar liberalização econômica à solidez das regras e dos órgãos de controle.