Oposição paraguaia pede impeachment de Peña após crise no Ueno
A Câmara dos Deputados deve analisar o pedido nesta quinta-feira; são necessários 53 votos para abrir o processo contra o presidente e o vice.
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Deputados da oposição no Paraguai pedem o impeachment do presidente Santiago Peña e do vice, Pedro Alliana, após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank. A Câmara deve analisar o pedido nesta quinta-feira. Enquanto isso, o governo prevê pagamentos iniciais a clientes, mas ainda faltam detalhes sobre procedimentos e calendário.
Deputados da oposição no Paraguai apresentaram um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña e o vice, Pedro Alliana, em meio à crise provocada pela intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) no Ueno Bank. A Câmara dos Deputados deve discutir a abertura do processo nesta quinta-feira, às 10h, no horário de Brasília; para aprová-la, são necessários 53 votos entre os 80 parlamentares.
A instituição foi intervinda por insuficiência de capital, e os serviços foram suspensos. A medida deixou depósitos de clientes congelados e levou à formação de filas nas agências e a protestos em Assunção. Quase metade dos 6,4 milhões de paraguaios tem conta no banco, segundo os dados divulgados.
A acusação apresentada pelos parlamentares cita possível conflito de interesses, aumento do patrimônio de Peña e decisões regulatórias que, segundo a oposição, teriam favorecido o banco. O presidente tinha ações de um grupo controlador do Ueno Bank e se desvinculou delas em 2025. Peña assumiu a Presidência em 2023, com mandato previsto até 2028.
Se a Câmara aprovar o pedido, o Senado conduzirá o julgamento. A destituição dependeria de 30 votos entre os 45 senadores. O Partido Colorado, que governa o país, tem maioria própria nas duas casas, mas Horacio Cartes, ex-presidente e líder do partido, se distanciou do governo.
O governo anunciou medidas para devolver parte dos depósitos. Peña sancionou uma lei que prevê pagamentos nos próximos cinco dias, enquanto o BCP informou que o primeiro repasse será de até 10 milhões de guaranis por cliente, cerca de R$ 9 mil. O valor corresponde a uma parcela inicial, não necessariamente à restituição integral dos saldos.
A devolução deve ocorrer em etapas: primeiro para clientes que já tenham conta em outro banco, depois para quem precisar abrir uma nova conta e, por fim, para aposentados do Instituto de Previdência Social que recebiam benefícios pelo Ueno. O Banco Central ainda precisa detalhar procedimentos e calendário. A garantia legal de depósitos tem limite de 228,3 milhões de guaranis por depositante e instituição, equivalente a 75 salários mínimos paraguaios; investimentos em fundos mútuos e títulos do mercado de capitais não são cobertos pelo fundo.
A crise também provocou a renúncia de Carlos Carvallo à presidência do Banco Central. O órgão apresentou uma denúncia contra o Ueno, e oito diretores foram presos, entre eles o presidente da instituição, Miguel Vázquez. A intervenção interrompeu o acesso dos clientes aos serviços bancários enquanto as autoridades organizam o pagamento dos valores garantidos.