Manifestantes em Tel Aviv pressionam oposição a se aliar a partidos árabes
A união dos partidos contrários a Benjamin Netanyahu com Raam e Lista Unificada somaria 67 das 120 cadeiras do Parlamento, mas Gadi Eisenkot ainda avalia o apoio.
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Cerca de 500 pessoas protestaram em Tel Aviv para pedir que a oposição israelense se alie aos partidos árabes e tente afastar Benjamin Netanyahu do poder. A união teria 67 das 120 cadeiras do Parlamento, mas enfrenta resistências. O presidente Isaac Herzog deve indicar um encarregado para formar governo na quinta-feira (5).
Cerca de 500 pessoas protestaram em Tel Aviv no sábado (31) para pressionar os partidos de oposição a se aliarem às siglas árabes e afastarem do poder o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A mobilização ocorreu cinco dias depois das eleições parlamentares em Israel, que não deram maioria a nenhum bloco, e enquanto o líder oposicionista Gadi Eisenkot ainda avalia se aceitará esse apoio.
Os partidos contrários a Netanyahu, cuja maioria dos eleitores é judaica, conquistaram 48 das 120 cadeiras do Parlamento. Raam e Lista Unificada, os dois partidos de maioria árabe, obtiveram juntos 19 assentos. Caso os grupos se unam, terão 67 cadeiras, o suficiente para formar uma maioria.
Faixas com as frases “Árabes e judeus vencem juntos” e “há uma maioria a favor da mudança” foram exibidas na manifestação. A comunidade árabe representa cerca de 20% da população israelense. Ayelet Raz, psicóloga de 60 anos que participou do ato, afirmou que essa população deve ter o direito de integrar o governo e disse que uma mudança política poderia abrir espaço para a paz.
Eisenkot, ex-chefe militar de perfil centrista, afirmou que aceitaria formar apenas um “governo sionista”. Para integrar a coalizão, segundo ele, os partidos teriam de reconhecer Israel como um Estado judeu, democrático e liberal e classificar o Hamas como uma “organização terrorista”. Os líderes árabes rejeitaram essas condições no passado.
O opositor disse que não quer depender dos partidos árabes, mas não descartou de forma explícita receber o apoio deles. O líder do Raam, Mansur Abbas, declarou estar disposto a participar de outra coalizão, após ter integrado um governo de curta duração entre 2021 e 2022. Já Yusef Jabareen, líder da Lista Unificada, disse que poderia apoiar Eisenkot no Parlamento sem entrar no governo.
A possibilidade de uma aliança divide a oposição. Alguns partidos rejeitam qualquer aproximação com os árabes, enquanto manifestantes pediram que o bloco tenha “a coragem de fazer o que é correto”, como afirmou Sharon Balaban, produtor de vídeo de 55 anos.
Em paralelo ao protesto em Tel Aviv, mais de 100 apoiadores de Netanyahu realizaram um ato. Uma participante, Rebecca Schindler, acusou os dois partidos árabes de serem ligados ao Hamas e disse que eles querem transformar Israel em um país palestino.
O presidente Isaac Herzog deve encarregar Netanyahu ou Eisenkot, na próxima quinta-feira (5), de tentar formar um novo governo. O líder escolhido terá de buscar apoio suficiente no Parlamento para construir uma coalizão, diante da ausência de uma maioria definida nas urnas.