Funcionários dos Correios fazem greve por água contaminada em Niterói
A paralisação no CDD do Centro começou na quinta-feira e deve seguir até terça, quando os trabalhadores decidirão em assembleia se mantêm o movimento.
Resumo em 30 segundos
Trabalhadores do CDD dos Correios no Centro de Niterói entraram em greve após denunciarem coliformes fecais na água da unidade e 21 colegas com gastroenterite e diarreia. Eles pedem água potável, nova análise microbiológica e garantias trabalhistas. A relação entre a água e os sintomas é atribuída pelos funcionários, sem confirmação independente apresentada.
Trabalhadores do Centro de Distribuição Domiciliária (CDD) dos Correios no Centro de Niterói iniciaram uma greve nesta quinta-feira (29), após denunciarem contaminação da água da unidade e o adoecimento de 21 funcionários. A paralisação deve seguir ao menos até terça-feira (3), quando uma assembleia avaliará se o movimento continua.
Os funcionários afirmam que uma análise microbiológica feita pelo Laboratório Acquamim encontrou coliformes fecais na água da cisterna. Segundo o grupo, o resultado apontou que a água não atendia aos padrões de potabilidade do Ministério da Saúde. A contaminação teria sido comunicada à Superintendência Estadual dos Correios no Rio de Janeiro em 26 de outubro.
Os trabalhadores dizem que 21 colegas apresentaram gastroenterite e diarreia e têm atestados médicos. Eles associam os sintomas ao contato com a água da unidade. As informações sobre o adoecimento e a relação com a contaminação são atribuídas aos funcionários; não há confirmação independente apresentada sobre a causa dos quadros.
A unidade fica na Rua Saldanha Marinho e atende o Centro e a Zona Norte de Niterói. A cidade tem quatro centros de distribuição dos Correios. Heitor Fernandes, integrante da Comissão Nacional de Saúde do Trabalhador da Federação Nacional de Trabalhadores dos Correios (Fentect), afirmou que veículos e funcionários de outras unidades foram deslocados para tentar manter entregas durante a greve.
Fernandes disse que quase 15 veículos foram enviados ao CDD nesta sexta-feira (30) e criticou a decisão, alegando que a unidade está interditada e que os trabalhadores transferidos também poderiam ficar expostos ao risco. Os funcionários pedem o fornecimento imediato de água potável, medidas para eliminar a contaminação e a divulgação de uma nova análise microbiológica.
O grupo também reivindica a emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para os funcionários que adoeceram e garantias de que os grevistas não serão punidos. A CAT é um registro formal de acidente ou doença relacionada ao trabalho, usado para comunicar o caso às autoridades competentes.
Os trabalhadores afirmam que só voltarão às atividades quando houver comprovação de condições sanitárias adequadas. Eles também consideram encaminhar o caso ao Ministério Público do Trabalho, ao Ministério do Trabalho e Emprego e à Vigilância Sanitária municipal.
Para entender
- Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)
- Registro formal usado para comunicar acidente de trabalho ou doença possivelmente relacionada às atividades profissionais. A emissão permite que o caso seja informado às autoridades competentes e dá início a procedimentos previstos na legislação trabalhista e previdenciária.