Oposição de Israel negocia governo após eleição sem maioria
O bloco de Netanyahu ficou com 53 cadeiras, abaixo dos 61 necessários para governar; partidos árabes podem ser decisivos nas negociações.
Resumo em 30 segundos
A oposição israelense iniciou conversas para formar um governo depois que o bloco de Benjamin Netanyahu terminou a eleição com 53 cadeiras, oito a menos que a maioria necessária. Os partidos árabes somaram 19 assentos, mas divergências sobre a participação deles dificultam a articulação. Autoridades rejeitaram alegações de fraude sistêmica; a investigação continua.
A oposição israelense começou a negociar a formação de um governo depois que a apuração das eleições realizadas na terça-feira confirmou que o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não alcançou maioria no Parlamento. As forças governistas ficaram com 53 cadeiras, enquanto a coalizão contrária a Netanyahu conquistou 48; dois partidos árabes somaram os outros 19 assentos. A oposição, porém, ainda precisa superar divergências sobre a participação árabe para reunir apoio suficiente.
Yair Lapid, ex-primeiro-ministro e líder de centro-esquerda, classificou o resultado como uma “vitória por pontos”. Embora o bloco de Netanyahu tenha sido o mais votado, perdeu cadeiras e não tem, sozinho, os 61 assentos necessários para formar maioria na Knesset, o Parlamento israelense. Lapid disse que as conversas para montar um governo serão difíceis e pediu paciência durante as negociações.
A coalizão anti-Netanyahu reúne partidos de diferentes posições, da direita à esquerda, em torno de Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Os 19 deputados dos partidos árabes podem ser decisivos para a formação de uma maioria. O obstáculo é político: parte da oposição, incluindo Eisenkot, demonstrou resistência a governar com essas siglas.
Durante a campanha, Eisenkot afirmou que não formaria um governo com quem se opõe a classificar o Hamas como organização terrorista. Já Mansour Abbas, líder do partido árabe Ra’am, manifestou otimismo sobre a possibilidade de negociar após a eleição. Yair Golan, dirigente do partido de esquerda Democratas, tem defendido de forma mais explícita um governo apoiado pelos partidos árabes.
A escolha de quem tentará formar o próximo governo caberá ao presidente Isaac Herzog, depois que receber os resultados certificados. A Comissão Central de Eleições prevê apresentar os números a Herzog em 4 de novembro. A posse dos novos parlamentares está prevista para o dia 10. O presidente indica um parlamentar para conduzir as negociações e tentar reunir apoio suficiente para formar uma coalizão.
Enquanto a oposição discute os possíveis acordos, Netanyahu e seu partido, o Likud, contestam a legitimidade do resultado e alegam interferência estrangeira, apontando o Catar. O primeiro-ministro comparou a suposta influência externa a um “roubo nas eleições”. Seu aliado Itamar Ben Gvir pediu a prisão de líderes dos partidos árabes-israelenses. A oposição declarou apoiar a apuração das denúncias, mas rejeitou a anulação do pleito e cobrou o reconhecimento dos eleitos.
As acusações também se apoiam em suspeitas de compra de votos envolvendo supostos representantes do Ra’am, que teriam sido presos durante o dia da votação. O Likud relacionou as alegações à participação recorde do eleitorado árabe. O presidente da Comissão Central de Eleições, juiz Noam Sohlberg, pediu ao diretor do Shin Bet, David Zini, que investigasse possíveis tentativas de interferência estrangeira e estabeleceu prazo de uma semana para uma manifestação.
A Comissão Central de Eleições, contudo, rejeitou a existência de fraude generalizada. Dean Livne, diretor-geral interino do órgão, afirmou que as alegações de violações sistemáticas não têm fundamento e que a votação ocorreu de acordo com a lei, com a integridade preservada nos locais de votação. O Shin Bet informou que a investigação sobre interferência externa tem escopo limitado. As autoridades disseram que a apuração continua, mas não apontaram evidências de fraude sistêmica.
A disputa sobre as denúncias pode afetar as negociações mesmo sem levar à anulação da eleição. Netanyahu afirmou que nenhum partido sionista deveria colaborar com os árabes-israelenses diante das suspeitas, posição que dificultaria a tentativa da oposição de formar maioria. A estratégia também pode pressionar parlamentares eleitos no campo opositor a abandonar a coalizão, segundo analistas citados na cobertura do caso.
Lapid descreveu o período de formação do governo como uma etapa lenta, conduzida longe das câmeras, em contraste com o ritmo acelerado da campanha. A oposição precisa conciliar suas diferenças e decidir se buscará apoio dos partidos árabes para chegar aos 61 votos. Os resultados certificados e a indicação de Herzog serão os próximos marcos do processo.