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Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Susep prorroga investigação sobre liquidação da seguradora Infinite

A comissão terá mais 120 dias para apurar possíveis responsabilidades de administradores, controladores e empresas de auditoria da seguradora.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Recepção vazia de uma seguradora, com pastas sobre o balcão. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Recepção vazia de uma seguradora, com pastas sobre o balcão.
Resumo em 30 segundos

A Susep prorrogou até o fim de fevereiro o prazo da comissão que investiga a liquidação extrajudicial da Infinite. O grupo apura possíveis responsabilidades de administradores, controladores e empresas de auditoria. A seguradora foi liquidada em maio, após a autarquia apontar deterioração financeira, inconsistências contábeis e falhas na gestão de riscos.

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) prorrogou até o fim de fevereiro o prazo da comissão que investiga as causas da liquidação extrajudicial da seguradora Infinite. Criado em julho, o grupo terá mais 120 dias para apurar possíveis responsabilidades de administradores, controladores e empresas responsáveis pela auditoria independente da companhia.

A comissão foi formada após a Susep decretar a liquidação da Infinite em maio, diante de uma deterioração da situação econômico-financeira, insuficiência patrimonial e falhas na gestão de riscos. A liquidação extrajudicial é um procedimento conduzido pela autarquia para encerrar as atividades de uma instituição supervisionada e organizar o tratamento de suas obrigações.

A apuração também examina a atuação da seguradora antes da medida. A Susep informou ter encontrado inconsistências relevantes nas demonstrações contábeis e nos dados enviados à supervisão. Segundo a autarquia, antes de liquidar a empresa, adotou restrições operacionais, exigiu recomposição de capital e suspendeu a venda de produtos, mas considerou insuficientes as providências tomadas.

Em março, parte das operações da Infinite já havia sido suspensa. A fiscalização apontou possíveis irregularidades, entre elas a aceitação de riscos em regiões não autorizadas e em valores acima dos limites permitidos, sem cobertura de resseguro suficiente. O resseguro é uma proteção contratada por seguradoras para dividir com outra empresa parte dos riscos assumidos e reduzir o impacto de indenizações elevadas.

Criada em Goiás em abril de 2023, a Infinite recebeu autorização para vender seguros de danos e de pessoas em grande parte do país, exceto em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Região Sul. A empresa informou à Susep ter emitido cerca de mil apólices. Desse total, 275 teriam sido emitidas dentro das regras; outras 740 precisariam ser regularizadas por terem sido contratadas fora da área autorizada ou com Limite Máximo de Garantia acima do permitido.

Os dados da companhia apontam expansão rápida da operação entre 2024 e 2026, concentrada em riscos financeiros, segmento que inclui seguro garantia. Os prêmios emitidos somaram R$ 2,07 milhões em 2024, R$ 25,74 milhões em 2025 e R$ 11,87 milhões em 2026, totalizando R$ 39,7 milhões no período analisado. Os sinistros chegaram a R$ 3,7 milhões, com índice de sinistralidade consolidado de 42,99%.

A participação dos riscos financeiros na produção passou de 91,2% em 2024 para 98,93% em 2026. A Infinite também comercializava seguro de vida em grupo e fiança locatícia. A liquidação foi a primeira decretada pela Susep em dez anos; a anterior ocorreu em 2016, no caso da Nobre.

Para entender

Liquidação extrajudicial
É um procedimento administrativo conduzido por uma autoridade supervisora para encerrar as atividades de uma instituição e organizar o tratamento de suas obrigações. No setor de seguros, a Susep pode decretá-lo quando identifica problemas que comprometem a situação da empresa.
Resseguro
É a proteção que uma seguradora contrata com outra empresa para compartilhar parte dos riscos que assumiu. Esse mecanismo ajuda a limitar o impacto de indenizações elevadas e a distribuir responsabilidades entre diferentes participantes do mercado.

Fontes: Valor Econômico

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