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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Partidos árabes conquistam 19 cadeiras e podem definir governo de Israel

Na eleição de Israel 2026, a contagem terminou nesta quinta, mas o resultado ainda depende de publicação oficial; nenhum bloco atingiu 61 cadeiras.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Plenário do Parlamento de Israel, com fileiras de assentos e a tribuna ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Plenário do Parlamento de Israel, com fileiras de assentos e a tribuna ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Ra’am e Lista Conjunta conquistaram juntas 19 cadeiras no Parlamento israelense, um recorde para os partidos árabes. Os blocos de Binyamin Netanyahu e Gadi Eisenkot não alcançaram maioria, e as legendas árabes podem influenciar a formação do próximo governo. A contagem terminou, mas o resultado ainda não foi oficializado.

Os partidos árabes Ra’am e Lista Conjunta conquistaram juntos 19 das 120 cadeiras do Parlamento de Israel nas eleições de terça-feira (27), o maior resultado de sua história. Com os blocos liderados por Binyamin Netanyahu e Gadi Eisenkot sem maioria, as legendas podem influenciar quem formará o próximo governo.

A Comissão Eleitoral Central concluiu a contagem nesta quinta-feira (29). O bloco de Netanyahu ficou com 53 cadeiras, ante 48 da oposição liderada por Eisenkot. São necessários 61 parlamentares para obter maioria absoluta no Knesset, como é chamado o Parlamento israelense.

O Likud, partido de Netanyahu, elegeu 27 parlamentares; o Yashar, de Eisenkot, 21. As outras 19 vagas foram divididas entre o Ra’am e a Lista Conjunta. O resultado superou o recorde anterior das siglas árabes, de 15 cadeiras, registrado em 2020, e as dez que ocupavam na legislatura atual.

A votação não escolhe diretamente o primeiro-ministro: os eleitores votam em listas partidárias, e as cadeiras são distribuídas proporcionalmente entre as siglas que atingem ao menos 3,25% dos votos. A participação foi de 77,7%, a maior desde 1999; o voto não é obrigatório em Israel. A apuração encerrada ainda não oficializa o resultado, cuja divulgação deve ocorrer até quarta-feira (4).

O avanço árabe foi atribuído pelo especialista Arik Rudnitzky, da Universidade de Tel Aviv, a uma campanha mais coordenada e a mensagens que atraíram eleitores de diferentes posições. O Ra’am se mostrou aberto a integrar um governo com partidos judeus; a Lista Conjunta disse que poderia apoiar um governo sem participar da coalizão. A participação em um gabinete continua sendo tema controverso entre os árabes-israelenses, que representam cerca de 20% da população.

A possibilidade de apoio dessas siglas tornou-se central nas negociações, mas não há um caminho definido para formar governo. A oposição está dividida sobre a aliança: alguns partidos aceitam cooperação com as legendas árabes, enquanto outros impõem condições ou rejeitam governar com elas. Segundo a liderança do Ra’am, o Likud também iniciou sondagens sobre a possibilidade de obter apoio do partido.

As acusações de interferência estrangeira e financiamento ilegal do Qatar elevaram a tensão após a eleição. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, pediu que o Shin Bet, agência de segurança interna, prendesse dirigentes de partidos árabes. O Qatar negou as acusações, e o diretor-geral interino da Comissão Eleitoral, Dean Livne, rejeitou alegações de fraude generalizada. O Shin Bet afirmou que sua investigação sobre possível interferência teve escopo limitado e não se baseou em informações de agentes políticos.

O presidente Isaac Herzog defendeu investigar eventual financiamento ilegal e responsabilizar envolvidos caso haja provas, mas também advertiu contra estigmatizar a comunidade árabe por votar. Eisenkot acusou Netanyahu e aliados de tentar colocar em dúvida a legitimidade do Parlamento. A Lista Conjunta afirmou que as acusações do premiê demonstravam receio da força política do voto árabe.

Depois da publicação oficial dos resultados, Herzog terá sete dias para consultar os partidos e encarregar um parlamentar de tentar formar governo. O indicado terá 28 dias, com possibilidade de extensão por até 14, para reunir apoio. Se as tentativas fracassarem, o impasse poderá levar a novas eleições em até 90 dias; até a posse de um novo governo, Netanyahu permanece no cargo.

Fontes: Folha de S.Paulo

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