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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Eleições em Israel deixam Netanyahu sem maioria no Parlamento

Com 99% das urnas apuradas, o bloco do premiê tem 53 das 120 cadeiras; a oposição soma 67, mas ainda precisa formar uma coalizão.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Plenário da Knesset, o Parlamento de Israel, visto da galeria pública. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Plenário da Knesset, o Parlamento de Israel, visto da galeria pública.
Resumo em 30 segundos

A apuração das eleições legislativas de Israel indica que o bloco de Benjamin Netanyahu não alcançou maioria no Parlamento. A oposição também enfrenta dificuldades para formar uma coalizão. Enquanto as negociações podem durar semanas, palestinos temem a continuidade das políticas israelenses e da violência em Gaza e na Cisjordânia.

A apuração das eleições legislativas de Israel, realizadas na terça-feira, indica que o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conquistou 53 das 120 cadeiras do Parlamento, enquanto os partidos de oposição somam 67, com 99% das urnas contadas. O resultado mantém em aberto a formação do próximo governo e gerou preocupação entre palestinos, que temem a continuidade da violência e das políticas israelenses na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada.

Para obter maioria na Knesset, o Parlamento israelense, são necessárias 61 cadeiras. Assim, o bloco de Netanyahu não tem votos suficientes para governar sozinho, e a oposição precisa negociar uma coalizão capaz de substituí-lo. Os resultados oficiais devem ser divulgados na próxima quarta-feira, depois de uma análise adicional da integridade da votação.

A oposição é liderada pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, mas também enfrenta dificuldades para reunir apoio suficiente. As negociações podem se estender por semanas e prolongar a incerteza política. Entre os cenários para Netanyahu estão renovar a aliança com partidos de extrema direita ou buscar uma coalizão mais ampla; o impasse também pode continuar se nenhum dos lados alcançar maioria.

A disputa eleitoral inclui acusações de irregularidades. Netanyahu e aliados questionaram a atuação de partidos árabes israelenses, que poderiam ser decisivos para a oposição, e alegaram que receberam financiamento do Catar. A Comissão Eleitoral pediu ao serviço de inteligência interna, o Shin Bet, que investigasse as acusações de financiamento estrangeiro. O presidente Isaac Herzog defendeu a apuração de elementos suspeitos, mas alertou contra a estigmatização da comunidade árabe israelense.

Eisenkot afirmou que Netanyahu e o Likud, partido do primeiro-ministro, tentam deslegitimar o resultado porque não conseguiram maioria. O líder da Raam, Mansour Abbas, negou as acusações de financiamento: “Não vão encontrar nada porque não há nada.” O Catar também rejeitou qualquer interferência na eleição. Autoridades eleitorais descartaram fraude em larga escala após a detenção de três homens com envelopes de dinheiro perto de uma seção eleitoral.

Entre os palestinos, o resultado não gerou expectativa de mudança imediata. Em Khan Younis, no sul de Gaza, Huda Al Huli, deslocada pela guerra, pediu que vozes da sociedade israelense pressionem pelo fim dos combates, independentemente de quem governe. Em Ramallah, na Cisjordânia, Ahmed Awad, de 67 anos, disse não esperar uma alteração profunda nas políticas relacionadas ao conflito.

A votação foi a primeira em Israel desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza. O pleito ocorreu durante a continuidade de ataques israelenses no território, apesar do cessar-fogo estabelecido em outubro de 2025, e em meio à intensificação da violência de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, disse nesta quinta-feira esperar que a formação de um novo governo permita retomar as negociações de paz, paralisadas há anos. Em encontro com o presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, em Nicósia, Abbas afirmou que espera iniciar um diálogo com Israel assim que o novo governo estiver formado. A Autoridade Palestina exerce autonomia limitada na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967.

O futuro governo pode influenciar as políticas israelenses sobre assentamentos, ajuda humanitária e cessar-fogo, mas analistas citados na cobertura do tema ressaltam que uma eventual troca de poder não significaria necessariamente mudança ampla na posição de Israel sobre a criação de um Estado palestino. Gadi Eisenkot integrou o gabinete de guerra israelense durante a ofensiva em Gaza. Um governo alternativo poderia enfrentar pressão da direita e, segundo uma avaliação, adotar medidas mais duras para demonstrar firmeza.

No governo de Netanyahu, a construção de assentamentos e a violência contra palestinos aumentaram na Cisjordânia, segundo a matéria. Ministros de extrema direita defenderam a anexação do território e políticas para incentivar a saída de palestinos de Gaza e da Cisjordânia. O ministro Itamar Ben Gvir manifestou interesse em assumir a Defesa caso a atual coalizão permaneça no poder; entre suas prioridades, declarou, está expulsar a população palestina de Gaza.

Fontes: O Globo, Estadão

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