Copiloto tenta lançar voo de Dubai contra aeroporto de Tel Aviv
Passageiros e tripulantes contiveram o ataque em 30 de setembro; o avião perdeu cerca de 5 mil metros de altitude e pousou na Arábia Saudita.
Resumo em 30 segundos
Um copiloto da FlyDubai tentou assumir o controle de um avião que seguia de Dubai para Israel e lançá-lo contra o aeroporto de Tel Aviv, segundo investigação dos Emirados Árabes Unidos. Passageiros e tripulantes o impediram. O comandante ficou ferido, e outro piloto fez um pouso de emergência na Arábia Saudita. Israel revisará a segurança dos voos estrangeiros.
Um copiloto de um voo da FlyDubai tentou tomar o controle da aeronave que seguia de Dubai para Israel e lançá-la contra o aeroporto de Tel Aviv, segundo uma investigação dos Emirados Árabes Unidos. O ataque ocorreu em 30 de setembro, mas passageiros e tripulantes conseguiram contê-lo; o avião fez um pouso de emergência na Arábia Saudita.
De acordo com o procurador-geral dos Emirados, Hamad Saif Al Shamsi, o objetivo do copiloto era “causar o maior número possível de mortes”. Ele teria usado um machado de emergência para atacar o comandante, o indiano Smit Machchhar, durante o voo. Machchhar, embora ferido, conseguiu abrir a porta da cabine, permitindo que outras pessoas a bordo enfrentassem o agressor.
No confronto, a aeronave perdeu cerca de 5 mil metros de altitude. Outro piloto que estava no avião assumiu os comandos e realizou o pouso de emergência. A maioria dos passageiros era israelense. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que Machchhar salvou a vida de 174 pessoas, entre israelenses e cidadãos de outras nacionalidades, e elogiou a atuação do comandante e dos passageiros.
A investigação dos Emirados aponta que o voo era a terceira viagem do copiloto para Tel Aviv e que as duas anteriores teriam sido usadas para planejar o ataque. Segundo as autoridades, ele se radicalizou enquanto estudava na Austrália, influenciado por literatura extremista e conteúdos na internet que exaltavam organizações terroristas e atentados suicidas.
O copiloto tinha licença para voar, apresentou certificado de bons antecedentes e passou pelas verificações exigidas, mas nenhum desses procedimentos identificou sinais de suas posições extremistas, afirmou Al Shamsi. Relatos publicados pela agência Associated Press apontam que ele já havia sido impedido de voar em Omã por causa dessas posições. A investigação ainda precisa esclarecer como ele foi autorizado a atuar na companhia aérea.
O primeiro-ministro israelense determinou uma revisão dos procedimentos de segurança aplicados a voos de companhias estrangeiras com destino a Israel. O copiloto permanece detido nos Emirados Árabes Unidos. A rota entre Dubai e Israel pode ser operada por voos comerciais, mas o episódio levou Israel a reavaliar as medidas de segurança para essas viagens.