Lista Unificada apoia Eisenkot na disputa de governo contra Netanyahu
Com 67 recomendações contra 46 de Netanyahu, o oposicionista tenta obter de Isaac Herzog a missão de formar o próximo governo após as eleições em Israel.
Resumo em 30 segundos
A Lista Unificada anunciou apoio a Gadi Eisenkot para formar o próximo governo de Israel. Com a abstenção do aliado ultraortodoxo Judaísmo Unido da Torá, Eisenkot soma 67 recomendações, ante 46 de Binyamin Netanyahu. A vantagem não garante maioria: partidos do bloco oposicionista resistem a uma aliança com legendas árabes.
A Lista Unificada, principal partido árabe de Israel, declarou nesta quinta-feira (5) que apoiará Gadi Eisenkot na tentativa de formar o próximo governo. O anúncio fortalece o oposicionista diante do primeiro-ministro em fim de mandato, Binyamin Netanyahu, que perdeu o apoio de um aliado ultraortodoxo.
Horas antes, o Judaísmo Unido da Torá (JUT), parceiro de Netanyahu há três décadas, decidiu não recomendar nenhum dos candidatos ao presidente Isaac Herzog. O partido enfrenta divergências com o premiê sobre o serviço militar obrigatório para estudantes de escolas religiosas.
A Knesset, o Parlamento israelense, tem 120 cadeiras, e são necessários 61 deputados para formar maioria. Na semana passada, o bloco de Netanyahu conquistou 53 assentos, ante 48 da aliança liderada por Eisenkot. Com a abstenção do JUT, Netanyahu tem 46 recomendações; Eisenkot, 67, após receber também o apoio do Raam, outro partido árabe.
O líder do Raam, Mansur Abbas, afirmou, após se reunir com Herzog, que a legenda apoiaria os esforços de Eisenkot para afastar o governo de Netanyahu. A Lista Unificada justificou sua decisão como resposta à “demanda popular de impedir o retorno de Netanyahu e seu governo ao poder”.
O presidente começou a consultar os líderes partidários mais de uma semana depois das primeiras eleições realizadas em Israel desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. Herzog tem até 11 de novembro para escolher quem receberá a tarefa de formar o governo, embora pretenda concluir as consultas nesta quinta-feira.
O parlamentar escolhido terá 28 dias para negociar uma coalizão, com possibilidade de prorrogação por mais 14. Se não conseguir, Herzog poderá encarregar outro candidato. Caso o impasse continue, o país poderá convocar novas eleições.
Apesar da vantagem nas recomendações, Eisenkot enfrenta obstáculos para transformar o apoio em maioria. Dirigentes de seu bloco se opõem a uma aliança com partidos árabes, cujos representantes são cidadãos árabes israelenses, também chamados de palestinos de Israel e correspondentes a cerca de 20% da população. Uma alternativa seria um governo minoritário apoiado indiretamente por esses partidos, mas o nacionalista Avigdor Liberman rejeita essa possibilidade.
Netanyahu acusa partidos árabes de apoiar o terrorismo e de tentar “islamizar Israel”. Também afirma que houve fraude eleitoral em larga escala e compra de votos com dinheiro do Catar. As autoridades eleitorais negaram irregularidades.
Segundo relatos de veículos israelenses, Herzog tenta viabilizar um governo de unidade formado por partidos judaicos sionistas. Essa composição deixaria de fora tanto as legendas árabes quanto as ultraortodoxas.