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Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Eleição em Israel termina sem maioria clara e deixa árabes decisivos

As projeções dão de 50 a 55 cadeiras a cada um dos dois principais blocos; partidos árabes podem definir quem formará o próximo governo.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Plenário do Knesset, o Parlamento de Israel, visto ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Plenário do Knesset, o Parlamento de Israel, visto ao fundo.
Resumo em 30 segundos

As eleições parlamentares em Israel tiveram comparecimento de 77,7%, o maior desde 1999, mas as projeções não apontam maioria clara para nenhum dos dois principais blocos. A frente contrária a Binyamin Netanyahu pode depender do apoio de partidos árabes para formar governo, enquanto o premiê pode continuar no cargo interinamente se não houver acordo.

As eleições parlamentares realizadas na terça-feira em Israel registraram comparecimento de 77,7%, o maior desde 1999, e terminaram sem um bloco com maioria clara no Knesset, o Parlamento do país. As projeções de saída das urnas indicaram entre 50 e 55 cadeiras para cada uma das duas principais alianças, em uma disputa centrada no futuro político do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.

O Knesset tem 120 assentos. Para governar, um bloco precisa reunir apoio suficiente para obter a maioria dos parlamentares, o que torna decisivos os partidos menores e as negociações após a votação. As projeções indicam que os partidos árabes podem ter papel central na formação de uma coalizão.

Um dos blocos é liderado pelo Likud, partido de Netanyahu, e inclui legendas de extrema-direita e partidos ortodoxos. O segundo reúne forças da direita secular, do centro e da centro-esquerda, em uma frente contrária ao premiê liderada pelo ex-general Gadi Eisenkot e seu partido, Yashar. Um terceiro grupo reúne a esquerda radical e partidos árabes, entre eles a Lista Conjunta e o Ra’am, liderado por Mansour Abbas.

Segundo as projeções, a aliança de Eisenkot poderia formar governo caso obtivesse apoio de Abbas ou da Lista Conjunta. Abbas foi ministro sem pasta entre 2021 e 2022. Os partidos árabes se opõem a Netanyahu, mas sua participação em uma coalizão com a frente ampla é uma questão central para as negociações.

O comparecimento elevado foi impulsionado por eleitores de regiões com maioria árabe-israelense, segundo a apuração dos votos. A participação proporcional desse grupo teria superado a dos eleitores judeus israelenses pela primeira vez. O resultado amplia o peso dos partidos árabes na disputa por apoio parlamentar.

A eleição foi apresentada como um referendo sobre Netanyahu, que é o primeiro-ministro há mais tempo no cargo. Ele é acusado em julgamentos por tráfico de influência e esteve à frente de uma tentativa de limitar a atuação do Judiciário. Também pode ser alvo de uma comissão de inquérito sobre falhas e omissões relacionadas ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Antes da votação, partidos árabes chegaram a ser excluídos provisoriamente do pleito pela comissão eleitoral, controlada por Netanyahu, mas a Suprema Corte reverteu a decisão. A Lei do Estado-Nação, aprovada em 2018, e políticas que, segundo organizações como a Anistia Internacional, discriminam árabes israelenses também marcaram o debate eleitoral.

Netanyahu alegou fraude e pode tentar atrair parlamentares da oposição ou dificultar a formação de um governo rival. Se nenhum acordo for fechado, ele permanecerá no cargo interinamente. O primeiro-ministro também poderá pressionar por uma retomada de ataques contra o Irã, possibilidade prevista para depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

Para entender

Knesset
É o Parlamento de Israel, composto por 120 assentos. Como nenhum partido costuma governar sozinho, a formação de uma coalizão com apoio parlamentar é central para definir quem poderá chefiar o governo.

Fontes: Estadão

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