Estudantes de medicina denunciam ataques políticos na Universidade Positivo
Mensagens em grupos de WhatsApp, encaminhadas ao Ministério Público do Paraná, incluem ofensas a colegas por apoio eleitoral e comentários sobre bolsas e aparência.
Resumo em 30 segundos
Estudantes de medicina da Universidade Positivo, em Curitiba, relatam ofensas e bullying virtual ligados ao apoio à reeleição de Lula. As mensagens foram encaminhadas ao Ministério Público do Paraná. A universidade afirma não ter recebido registros oficiais e orienta os afetados a formalizar relatos. Também há registros de ocorrências eleitorais em outras instituições do estado.
Estudantes de medicina da Universidade Positivo, em Curitiba, relatam ter sido alvo de ofensas e bullying virtual de colegas por apoiarem a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As mensagens, trocadas em grupos de WhatsApp durante a campanha e depois do resultado, foram encaminhadas ao Ministério Público do Paraná.
Nas capturas de tela, estudantes fazem comentários depreciativos sobre colegas e compartilham “listas de petistas”. Uma enquete pergunta se uma aluna deveria ser expulsa de um grupo, com as opções “sim” e “óbvio”. Outra mensagem sugere que ela não compareça à aula na segunda-feira, 26, após a divulgação do resultado eleitoral.
Entre as mensagens estão ataques relacionados à aparência física e à situação econômica dos estudantes, além de comentários sobre o voto e a possibilidade de perder uma bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni). Os denunciantes afirmam ao Ministério Público que alunos pagantes e bolsistas foram alvo de “discursos de ódio, discriminação, gordofobia e aporofobia”. A aporofobia é a aversão ou o preconceito contra pessoas pobres.
Em nota, a Universidade Positivo disse que não recebeu registros oficiais sobre os casos. A instituição afirmou que “repudia qualquer forma de discriminação, intolerância ou desrespeito” e que busca manter um ambiente de respeito à diversidade de pensamento e à convivência democrática.
A universidade orientou os estudantes afetados a formalizar relatos pelos canais oficiais, com garantia de sigilo, para que as ocorrências possam ser apuradas. Também declarou estar disponível para acolher e orientar as vítimas. A instituição não informou sobre uma investigação específica relacionada às mensagens.
A Associação dos Estudantes de Medicina do Paraná informou que, até a tarde de terça-feira, 3, havia registros de ocorrências ligadas às eleições em pelo menos cinco instituições de ensino superior no estado. Em Maringá, estudantes de medicina da UniCesumar foram punidos após ataques a bolsistas. A universidade informou ter concluído uma sindicância em 30 de outubro e aplicado advertências, suspensões e desligamentos, conforme a gravidade das condutas apuradas, sem divulgar quantos alunos foram punidos.
Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Grêmio de Arquitetura e Urbanismo foi vandalizado na noite de 26 de outubro. Houve pichações e despejo de substâncias em paredes e móveis, incluindo o número de urna do candidato derrotado. A universidade acionou a Polícia Federal.
Em vídeo gravado após o episódio, a vice-reitora da UFPR, Camila Fachin, afirmou que a democracia exige respeito às escolhas e aos resultados eleitorais, mesmo quando eles contrariam as expectativas. As ocorrências em diferentes instituições apontam para episódios de hostilidade entre estudantes relacionados à disputa eleitoral, mas as denúncias e investigações citadas não estabelecem uma relação entre os casos além desse contexto.