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Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

PT e aliados de Paes articulam pressão por novo segundo turno no Rio

Após Lula vencer Flávio Bolsonaro na capital, aliados de Eduardo Paes mobilizam apoio a um novo segundo turno para o governo do Rio, sob análise do STF.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Multidão participa de ato político em uma avenida do Rio de Janeiro, com o Pão de Açúcar ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Multidão participa de ato político em uma avenida do Rio de Janeiro, com o Pão de Açúcar ao fundo.
Resumo em 30 segundos

O PT e aliados de Eduardo Paes discutem como aproveitar a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro na capital fluminense para ampliar a influência política no estado. Paralelamente, apoiadores pressionam por um segundo turno para governador. O pedido do PSD, que contesta a anulação de votos de Anthony Garotinho, está no STF.

O Partido dos Trabalhadores (PT) e aliados de Eduardo Paes (PSD) discutem como aproveitar a virada de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro para fortalecer a aliança política no estado. Ao mesmo tempo, o grupo do ex-prefeito mobiliza apoiadores para pressionar pela realização de um segundo turno na eleição para o governo fluminense, tema em análise no Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula venceu Flávio na capital fluminense no segundo turno, com 51,54% dos votos, ante 48,46%. Na primeira etapa, o senador havia obtido 47,88%, e o presidente, 43,91%. No estado, Flávio passou de 53,01% dos votos válidos no primeiro turno para 53,1% no segundo, enquanto Lula avançou de 39,41% para 46,9%. A diferença entre os candidatos caiu de 13,6 para 6,2 pontos percentuais.

A movimentação em torno de Paes ocorre em duas frentes. Aliados avaliam que o ex-prefeito tem relações políticas e força para participar do próximo governo federal, inclusive com a possibilidade de ocupar um ministério. Integrantes do PT no Rio, porém, dizem que o principal foco é manter a mobilização política e ampliar o espaço da esquerda na aliança estadual.

“Eduardo [Paes] é um aliado importante que pode, sim, ganhar espaço, mas o personagem principal da virada no segundo turno foram as ruas. E esse movimento não pode se perder durante o governo”, afirmou Marcelo Freixo (PT), eleito deputado federal. Renan Ferreirinha (PSD), também deputado federal, disse que Paes não conversou sobre integrar o governo Lula e que sua atenção está voltada à disputa pelo governo do Rio.

Paes está fora do país em viagem de férias desde domingo (25), depois de votar pela manhã. No segundo turno, ele organizou encontros na capital, participou de um deles com o vice-presidente Geraldo Alckmin e esteve ao lado de Lula em um ato no sábado (24), véspera da votação. Também publicou vídeos nas redes sociais pedindo votos para o presidente. No primeiro turno, Lula havia reclamado de uma suposta falta de empenho do ex-prefeito.

A campanha por um novo segundo turno estadual se relaciona a uma disputa judicial sobre a eleição para governador. O PSD pediu ao STF que Paes possa enfrentar Douglas Ruas (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e proclamado governador eleito. O caso está sob relatoria do ministro Cristiano Zanin.

Ruas obteve 49% dos votos nominais no primeiro turno. Seu percentual foi recalculado para 50,88% após a anulação de 274 mil votos dados ao ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou o indeferimento do registro de candidatura de Garotinho decidido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas a decisão ocorreu quatro dias depois da votação.

Paes argumenta que a retirada posterior dos votos é inconstitucional. Na ação, sustenta que os eleitores escolheram votar em Garotinho e que a legislação considera nulos os votos decorrentes de manifestações apolíticas do eleitor ou de erro de digitação na urna. Se a anulação for mantida, o percentual de Ruas ultrapassa a metade dos votos nominais, resultado que levou à proclamação de sua eleição; o pedido do PSD busca reverter esse desfecho.

A vitória de Lula no estado também estimulou atos de rua, iniciados por estudantes no centro do Rio e em Niterói e depois realizados diariamente em diferentes pontos. O último citado ocorreu em Copacabana, com a presença do presidente. Aliados de Paes criaram nas redes o canal “Exército do Dudu”, que reunia mais de 190 mil pessoas até terça-feira (27), para defender a realização de um segundo turno.

O PT discute ainda como transformar a mobilização em maior influência na aliança com o PSD e em força para futuras disputas municipais. A legenda ficou fora da chapa de Paes, que deixou a prefeitura para concorrer ao governo e buscava manter seu grupo político no comando da cidade. O partido aceitou abrir mão da vice em troca do apoio do ex-prefeito a Lula. A possibilidade de romper com o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) não está em discussão, mas petistas avaliam se os atos podem ajudar a viabilizar uma candidatura própria à Prefeitura do Rio daqui a dois anos.

Para entender

Supremo Tribunal Federal
O STF é a mais alta instância do Poder Judiciário brasileiro. Entre suas atribuições está julgar ações e recursos previstos na Constituição, inclusive disputas que envolvem a interpretação de normas eleitorais.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo

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