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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Netanyahu acusa partidos árabes de fraude após eleição em Israel

Com 93% dos votos apurados, nenhum bloco chega aos 61 assentos; a comissão eleitoral diz não haver indícios de dano sistemático à votação.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Funcionários organizam cédulas em um centro de apuração eleitoral. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Funcionários organizam cédulas em um centro de apuração eleitoral.
Resumo em 30 segundos

Benjamin Netanyahu acusou partidos árabes de fraude eleitoral sem apresentar provas. A comissão eleitoral investiga denúncias, mas afirma não haver indícios de prejuízo sistemático à votação. Com quase 93% dos votos apurados, os blocos liderados por Netanyahu e Gadi Eisenkot estão abaixo dos 61 assentos necessários para formar maioria, e o apoio árabe pode ser decisivo.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou nesta quinta-feira (29) os partidos árabes de terem sido beneficiados por fraude nas eleições realizadas na terça-feira, sem apresentar provas. A disputa, ainda sem vencedor claro, deixou os blocos liderados por Netanyahu e por seu principal rival, Gadi Eisenkot, abaixo da maioria necessária para formar governo e ampliou a importância dos partidos que representam a minoria árabe do país.

Com quase 93% dos votos apurados, o campo nacionalista-religioso de Netanyahu tinha 53 cadeiras, contra 48 da coalizão de direita e centro-esquerda de Eisenkot. São necessários 61 assentos para obter maioria no Parlamento. Os partidos árabes deveriam alcançar um recorde de 19 cadeiras; a minoria árabe corresponde a 21% da população israelense.

A Comissão Central Eleitoral informou que investiga denúncias, mas declarou que não há indícios de prejuízo sistemático à integridade da votação. Em carta divulgada pelo órgão, a comissão afirmou que “não há fundamento para as alegações de que houve prejuízo sistemático à integridade da eleição”. A apuração deveria ser concluída ainda nesta quinta-feira.

A polícia disse ter prendido ao menos sete pessoas desde terça-feira no sul de Israel, onde vive uma parcela significativa da população árabe, por suspeita de fraude eleitoral. Segundo a emissora pública Kan, os suspeitos teriam tentado subornar eleitores para que votassem no Ra’am, partido de predominância árabe com raízes islâmicas.

O Likud, partido de Netanyahu, pediu que a polícia e o Shin Bet — serviço de inteligência interna de Israel — investiguem suspeitas de compra de votos e intimidação em seções eleitorais de cidades árabes. A sigla afirmou ter provas, mas não as apresentou publicamente. O líder do Ra’am, Mansour Abbas, negou envolvimento em irregularidades e pediu uma investigação completa.

“Temos uma mensagem em resposta à campanha de incitação e deslegitimação que ele promove contra os cidadãos árabes: nada resultará disso, porque não há nada que sustente essas acusações”, afirmou Abbas em comunicado. Líderes árabes acusaram Netanyahu de incitar a população contra a comunidade e de tentar enfraquecer os resultados eleitorais.

O presidente da Comissão Central Eleitoral, o magistrado da Suprema Corte Noam Sohlberg, também pediu ao Shin Bet que investigue suspeitas de interferência de agentes estrangeiros não identificados. O Likud atribuiu a suposta interferência ao Catar, que negou a acusação. A solicitação de investigação, porém, não confirma que tenha ocorrido interferência.

Netanyahu e seus aliados criticaram a participação elevada de eleitores árabes na votação. O Likud acusou os partidos árabes de “roubar os votos”. Ahmad Tibi, um dos líderes da Lista Conjunta, disse que a campanha do premiê busca pressionar Eisenkot para que ele descarte qualquer possibilidade de governar com apoio árabe.

“Esta campanha inteira é direcionada contra Eisenkot, para impedi-lo, intimidá-lo e assustá-lo, afastando-o da formação de um governo que dependa do apoio externo da Lista Conjunta ou do Ra’am”, declarou Tibi. O apoio externo permitiria que partidos árabes ajudassem a sustentar um governo sem integrar formalmente a coalizão.

Eisenkot pediu uma investigação que preserve a confiança na eleição, mas acusou Netanyahu de usar as suspeitas para “espalhar o caos”. Em comunicado, afirmou que o premiê pretende contestar os resultados oficiais, que, segundo ele, mostraram que o público votou contra o governo. Até agora, Eisenkot descartou apoio árabe amplo, embora sua coalizão não tenha um caminho viável para o poder sem ele.

A possibilidade de uma aliança é politicamente sensível em Israel. A maioria dos líderes judeus tem evitado coalizões formais com partidos árabes. Em 2021, porém, o Ra’am, de Abbas, apoiou a coalizão que tirou Netanyahu do poder. Agora, a oposição poderia buscar apoio externo também da Lista Conjunta, que inclui um partido explicitamente antissionista.

Netanyahu pode tentar formar um governo com seu bloco, mas nenhum dos dois campos alcançou os 61 assentos necessários. Depois que a contagem terminar, o presidente Isaac Herzog deverá consultar os líderes partidários e indicar o candidato que considerar mais capaz de reunir apoio para formar uma administração. Herzog afirmou que as denúncias precisam ser apuradas, mas pediu que a comunidade árabe não seja responsabilizada coletivamente por exercer o direito de voto.

Fontes: Valor Econômico

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