Gadi Eisenkot pode liderar governo após eleição israelense sem maioria
Com 85% dos votos apurados, o bloco de Benjamin Netanyahu está à frente, mas as negociações para formar governo podem manter as políticas atuais para palestinos.
Resumo em 30 segundos
O bloco de Benjamin Netanyahu lidera a apuração das eleições legislativas de Israel, mas ainda não tem maioria no Parlamento. As negociações para formar um governo podem abrir espaço para uma coalizão liderada por Gadi Eisenkot, embora analistas não prevejam mudanças profundas para palestinos de Gaza e da Cisjordânia. A violência e a expansão de colônias seguem entre as preocupações.
A apuração das eleições legislativas de Israel, realizadas na terça-feira, aponta o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu à frente, mas sem maioria no Parlamento. O resultado mantém em aberto quem formará o próximo governo e não alimenta expectativas de mudanças significativas entre palestinos de Gaza e da Cisjordânia ocupada.
Com 85% dos votos contabilizados, Netanyahu ainda não tinha apoio suficiente para governar sozinho. Os israelenses elegem parlamentares, não o primeiro-ministro: cabe aos partidos negociar uma coalizão que consiga obter a confiança do Parlamento. Sem um bloco majoritário, as conversas podem levar a um governo de unidade, a um gabinete minoritário ou a um impasse político.
As eleições foram as primeiras desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. O pleito ocorreu enquanto Israel mantinha ataques regulares em Gaza, apesar do cessar-fogo firmado em outubro de 2025, e em meio ao aumento da violência de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia.
Huda Al Huli, deslocada de Khan Yunis, no sul de Gaza, disse temer que o resultado leve a uma política ainda mais dura e a mais destruição. Ela pediu que vozes dentro da sociedade israelense defendam o fim da guerra. Em Ramallah, Ahmed Awad, de 67 anos, afirmou não esperar uma mudança profunda nas políticas relacionadas ao conflito, mesmo que os protagonistas do governo mudem.
Um governo liderado por Gadi Eisenkot, principal rival de Netanyahu e político de centro-direita, poderia reduzir a influência da extrema direita favorável às colônias, facilitar o funcionamento da Autoridade Palestina e flexibilizar posições sobre ajuda humanitária e cessar-fogo em Gaza, segundo Beth Oppenheim, pesquisadora do Conselho Europeu de Relações Exteriores. Ela ressalvou, porém, que não haveria uma mudança de paradigma sobre a criação de um Estado palestino ou o processo de paz, temas que tiveram pouco espaço no debate eleitoral.
Eisenkot integrou o gabinete de guerra israelense durante a ofensiva em Gaza. Para Yousef Munayyer, diretor do programa Palestina-Israel do Arab Center Washington, um governo alternativo frágil poderia adotar medidas mais agressivas para se firmar diante das críticas da direita. Ele também avalia que a violência na Cisjordânia poderia aumentar se colonos desafiassem um novo Executivo.
Se Netanyahu permanecer no poder, a expectativa é de continuidade das políticas atuais, incluindo a expansão de colônias e a falta de responsabilização pela violência de colonos, afirmou Oppenheim. O ministro de extrema direita Itamar Ben Gvir já manifestou interesse em assumir a pasta da Defesa e defende a expulsão da população palestina de Gaza. Em Khan Yunis, Adnan al Asar resumiu a desconfiança: “todos atuam seguindo uma mesma política, voltada contra o povo palestino”.