Douglas Ruas inicia transição de governo no Rio com Ricardo Couto
Órgãos estaduais têm até esta sexta-feira para entregar relatórios com contratos a vencer e projetos prioritários dos primeiros 100 dias da gestão.
Resumo em 30 segundos
As equipes do governador em exercício Ricardo Couto e do governador eleito Douglas Ruas começaram a organizar a transição no Rio. Secretarias e órgãos estaduais devem entregar relatórios até esta sexta-feira, com informações sobre contratos e projetos prioritários. Segurança pública e finanças estão entre os desafios da nova gestão, que toma posse em 6 de janeiro.
As equipes do governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, e do governador eleito, Douglas Ruas (PL), começaram a organizar a transição de governo após as eleições. Secretarias e órgãos estaduais têm até esta sexta-feira (30) para entregar relatórios sobre suas atividades e apontar projetos prioritários para os primeiros 100 dias da nova gestão.
Os documentos devem incluir informações sobre contratos próximos do vencimento e temas que exigirão decisões no início do mandato. Entre eles estão a concessão de distribuição de gás natural, a modelagem da bilhetagem de barcas e trens, a preparação para possíveis efeitos do fenômeno El Niño e a organização da Copa do Mundo Feminina da FIFA, cuja final está marcada para 25 de julho, no Maracanã.
Flávio Willeman, secretário estadual da Casa Civil e coordenador da transição pelo lado de Couto, afirmou que o governo atual pretende fornecer à equipe eleita os dados solicitados. “A orientação é passar todo tipo de informação possível que a equipe do governador eleito requeira. Não tem nenhum grau de sigilo ou assunto que não seja possível de ser tocado”, disse.
Willeman descreveu o trabalho como colaborativo. A expectativa é que as reuniões avancem a partir da próxima semana, com a participação direta de Ruas. Até domingo (25), o governador eleito estava envolvido na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no Rio.
A segurança pública deve estar entre as prioridades da nova gestão. Ruas prometeu recriar a Secretaria de Segurança Pública, que deverá integrar o modelo de atuação do governo nos primeiros meses. O governador eleito também deve reduzir o número de secretarias, embora a definição da estrutura e das prioridades caiba a ele.
As finanças estaduais são outro desafio. A previsão inicial apontava déficit de R$ 19 bilhões para 2026, mas o Estado deve encerrar o ano com superávit, após cortes de despesas e aumento da arrecadação, principalmente no setor de combustíveis. A expectativa é terminar o exercício com ao menos R$ 1 bilhão em caixa.
Esse valor pode crescer caso avance um acordo tributário entre o governo fluminense e a Petrobras, que poderia acrescentar cerca de R$ 2 bilhões aos cofres estaduais, segundo Willeman. A empresa não respondeu ao pedido de comentário sobre o tema.
A montagem do secretariado também está em andamento. Ruas anunciou Fernanda Louback (PL), sua vice-governadora, para comandar a Secretaria de Estado da Inclusão e da Mulher. Maria Gabriela Bessa, que coordena a equipe de transição do governador eleito, deve assumir a Casa Civil. O deputado estadual Jair Bittencourt é cotado para a Secretaria de Governo, enquanto Bruno Bonetti pode ocupar a pasta de Relações Institucionais. Fábio Araújo, aliado de Ruas, deve ser chefe de gabinete. Os anúncios são esperados a partir da próxima semana.
Couto permanecerá à frente do Executivo estadual até 5 de janeiro, véspera da posse de Ruas, marcada para o dia 6. Depois, deverá retomar exclusivamente suas funções como desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A eleição para escolher o próximo presidente do tribunal está prevista para 30 de novembro.
Na segunda-feira, Ruas publicou um vídeo em que reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Ele afirmou que apoiou Flávio Bolsonaro durante a campanha, mas que é necessário respeitar a decisão dos eleitores. Bruno Bonetti disse que a relação entre o novo governo estadual e o presidente da República deverá respeitar as instituições e priorizar projetos de interesse dos fluminenses.
A transição ocorre enquanto o Partido Social Democrático (PSD), de Eduardo Paes, derrotado na disputa pelo governo do Rio, tenta reabrir a discussão sobre a realização de um segundo turno no estado. O partido apresentou uma ação ao Supremo Tribunal Federal (STF), distribuída ao ministro Cristiano Zanin. A análise aguarda manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Advocacia-Geral da União (AGU).