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Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Previdência privada perde captação e enfrenta IOF em 2026

De janeiro a agosto, as entradas líquidas somaram R$ 8,7 bilhões, 13% menos que em 2025; o IOF incide sobre aportes anuais em VGBL acima de R$ 600 mil.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Pessoa analisa documentos de planejamento financeiro para a aposentadoria em uma mesa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Pessoa analisa documentos de planejamento financeiro para a aposentadoria em uma mesa.
Resumo em 30 segundos

A captação líquida da previdência privada aberta caiu 13% nos primeiros oito meses de 2026, na comparação anual. A retração ocorre em meio à cobrança de IOF sobre aportes elevados em VGBL, às taxas de alguns planos e à concorrência de investimentos voltados à renda na aposentadoria. A queda da captação não significa, por si só, redução dos saldos já acumulados.

A captação líquida dos planos de previdência privada aberta caiu nos últimos anos, em meio à cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em aportes elevados, a custos de alguns produtos e à concorrência de outros investimentos voltados à aposentadoria. De janeiro a agosto de 2026, o saldo entre entradas e saídas somou R$ 8,7 bilhões, 13% a menos que no mesmo período do ano anterior, segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi).

A retração é mais acentuada na comparação anual: entre 2024 e 2025, a captação líquida recuou 93%. Na comparação entre 2021 e 2025, a queda foi de 88,8%, conforme os dados da entidade. Captação líquida corresponde aos recursos que entram nos planos descontados os valores resgatados pelos clientes; portanto, a redução não significa, por si só, que os saldos já acumulados tenham diminuído.

Uma mudança tributária ajuda a explicar o movimento entre investidores de maior renda. Desde o início de 2026, aportes em planos VGBL acima de R$ 600 mil no ano — equivalentes a R$ 50 mil mensais — estão sujeitos a IOF de 5% sobre a parcela excedente. A regra decorre de decreto publicado pelo governo federal em maio do ano passado. O VGBL, ou Vida Gerador de Benefício Livre, é o tipo de plano mais numeroso entre os produtos de previdência aberta.

Em agosto de 2026, havia 13,7 milhões de planos abertos no país. Desse total, 8,6 milhões eram VGBL, 3,2 milhões eram PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e 1,9 milhão correspondia a planos tradicionais. A incidência do IOF mencionada refere-se a aportes no VGBL acima do limite anual indicado; não é uma cobrança geral sobre todos os planos nem sobre qualquer saque de previdência privada.

Além do tributo, taxas de administração elevadas e resultados fracos de alguns produtos levam clientes a reavaliar onde investir. Custos aparentemente pequenos podem fazer diferença expressiva no saldo ao longo de muitos anos. Victor Oliveira, sócio e diretor-executivo de planejamento financeiro da Grão Planejamento, afirmou que taxas mais altas aparecem com frequência em planos antigos. Segundo ele, produtos mais recentes têm custos mais adequados e estratégias de carteira que vêm proporcionando retornos acima do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) há vários anos.

A concorrência também aumentou com alternativas que podem compor a renda na aposentadoria. O Tesouro RendA+, lançado em fevereiro de 2023 pela B3, pelo Tesouro Direto e pela Secretaria de Previdência do Ministério da Previdência Social, prevê pagamentos mensais durante 20 anos. Fundos imobiliários, que distribuem rendimentos, e ações de empresas que pagam dividendos também são usados por investidores em busca de renda complementar.

A presença de pessoas mais velhas na Bolsa cresceu nesse período. O número de investidores com 60 anos ou mais passou de 280 mil em 2020 para 592 mil em 2026, alta de 112,8%, segundo a B3. Ações são o principal investimento de renda variável desse grupo, seguidas pelos fundos imobiliários, que somavam R$ 59,6 bilhões investidos. No Tesouro RendA+, cerca de 46% dos investidores têm entre 25 e 39 anos; os maiores de 60 concentram o maior saldo mediano.

A queda da captação não elimina, porém, a utilidade da previdência privada, na avaliação de Oliveira. Ele disse que o limite sujeito ao IOF afeta especialmente quem consegue fazer aportes elevados, e não a maioria dos brasileiros. Os planos também permitem indicar beneficiários para receber os recursos em caso de morte do titular e podem ser considerados no planejamento sucessório.

Em dezembro de 2024, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a cobrança do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), conhecido como imposto sobre herança, sobre esses produtos. Oliveira afirmou que não há um único investimento que substitua diretamente a previdência, mas que uma carteira diversificada de fundos negociados em bolsa (ETFs), combinada eventualmente com seguro de vida, pode reproduzir parte das funções sucessórias. A escolha entre PGBL e VGBL, assim como a tributação no resgate, depende das características do plano e da situação do investidor.

Fontes: Estadão

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