Jefferson Dias da Silva morre em abordagem policial no Rio
O ex-vereador de Queimados, conhecido como Jefferson da Linave, morreu na Avenida Brasil; cinco PMs foram afastados e a Polícia Civil apura o caso.
Resumo em 30 segundos
Jefferson Dias da Silva, secretário de Desenvolvimento Econômico de Queimados e ex-vereador por três mandatos, morreu durante uma abordagem policial na Avenida Brasil. Cinco policiais militares foram afastados. A Polícia Civil investiga a ocorrência, analisa imagens de câmeras corporais e apreendeu as armas dos agentes envolvidos.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Queimados, Jefferson Dias da Silva, morreu durante uma abordagem de policiais militares na Avenida Brasil, na altura da Penha, Zona Norte do Rio, na noite de segunda-feira. Cinco agentes envolvidos foram afastados, e a Polícia Civil investiga as circunstâncias da ocorrência, incluindo os disparos feitos durante a perseguição.
Jefferson, de 51 anos, era conhecido como Jefferson da Linave, foi vereador de Queimados por três mandatos e era empresário dos setores de transporte e imobiliário. Ele voltava da Barra da Tijuca para a Baixada Fluminense quando foi interceptado. O enterro ocorreu na tarde de terça-feira, no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu, acompanhado por mais de cem pessoas.
Segundo os relatos dos policiais, a perseguição começou depois que agentes receberam pelo rádio informações sobre um BYD branco em alta velocidade. Eles afirmaram que o motorista não obedeceu às ordens de parada em pontos de bloqueio em Bonsucesso e seguiu pela Avenida Brasil. As versões dos agentes indicam que o carro foi perseguido por cerca de seis quilômetros.
Os PMs disseram que, perto da Penha, duas viaturas fecharam o veículo, que bateu em uma mureta. Ainda segundo os relatos, Jefferson tentou dar marcha à ré e os agentes ouviram disparos nas proximidades da comunidade Nova Holanda. Um policial afirmou ter feito sete disparos de fuzil ao identificar, segundo sua versão, uma situação de “perigo iminente”. Não está esclarecido se esses tiros foram dirigidos ao carro do secretário. Nenhuma arma foi encontrada com ele.
A Polícia Civil apreendeu as armas usadas pelos policiais e analisa imagens das câmeras corporais. O governador em exercício, Ricardo Couto, determinou o afastamento dos cinco agentes. O prefeito de Queimados, Glauco Kaizer, afirmou que conversou com Couto, que garantiu uma apuração rigorosa. Em nota, o governo estadual disse que o caso exige investigação “rigorosa, célere e transparente”.
A viúva de Jefferson contou à polícia que recebeu uma ligação dele durante o trajeto. Segundo ela, o secretário disse que estava brigando com alguém, mas não conseguiu entender o que ocorria. Familiares também afirmaram que uma das viaturas envolvidas era descaracterizada e estava com o giroflex desligado. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram parte da perseguição; registros de uma câmera de segurança mostram as viaturas caracterizadas no momento da colisão, com o giroflex de uma delas ligado.
Especialistas em segurança ouvidos sobre o caso afirmaram que a abordagem policial deve priorizar a preservação da vida. O coronel Ubiratan Ângelo, consultor em segurança e ex-comandante-geral da Polícia Militar do Rio, disse que os agentes podem perseguir um veículo suspeito, mas que o uso de força letal deve ocorrer apenas diante de perigo atual ou iminente para policiais ou outras pessoas.
O coronel Luiz Henrique Pires, ex-secretário estadual da Polícia Militar, afirmou que a pressão do trabalho policial precisa ser administrada, mas não pode ser a única explicação para condutas extremas. Já Paulo Storani, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e antropólogo, disse que o agente não tem autorização irrestrita para atirar e matar, salvo para defender a própria integridade, a de colegas ou a de pessoas inocentes. As declarações tratam dos princípios gerais de atuação; a investigação deverá esclarecer a sequência dos fatos e a responsabilidade de cada envolvido.