Douglas Ruas ganha autonomia para escolher equipe no Rio
A derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial leva aliados do PL a defenderem diálogo com o governo federal para viabilizar investimentos no estado.
Resumo em 30 segundos
Após a derrota de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, aliados do PL defendem que Douglas Ruas tenha mais independência para escolher o secretariado e conduzir o governo do Rio. O governador eleito também pretende manter diálogo institucional com o governo federal, já que projetos de transporte e saúde dependem de cooperação e recursos da União.
O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), deverá ter mais autonomia para montar sua equipe e conduzir o governo após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Aliados do partido defendem que Ruas mantenha diálogo institucional com o governo federal, que continuará sob comando do PT, para facilitar investimentos da União no estado.
Ruas afirmou que mantém boas relações com diferentes correntes políticas e que pretende conversar com o governo federal quando necessário. Durante a campanha, ele apresentou projetos que dependem de cooperação e recursos da União, como a construção de uma ligação metroviária entre Rio, Niterói e São Gonçalo e melhorias no transporte da Baixada Fluminense.
Na saúde, o governador eleito propôs criar centros integrados em todas as regiões do estado e concluir obras atrasadas, entre elas a do Hospital do Câncer de Nova Friburgo. A execução dos serviços é estadual, mas parte do financiamento depende de repasses regulares do Sistema Único de Saúde (SUS), cujos recursos são geridos pelo governo federal.
A derrota de Flávio Bolsonaro também alterou as expectativas sobre sua influência na formação do secretariado. Antes da eleição presidencial, integrantes do PL esperavam que o senador participasse de forma mais direta da composição e da condução da gestão estadual. Agora, aliados defendem que Ruas decida os nomes do primeiro escalão com maior independência.
O presidente estadual do PL, deputado federal Altineu Côrtes, deve atuar como conselheiro do governador eleito na escolha dos secretários. Altineu descartou assumir um cargo no Executivo fluminense e encarregou Bruno Bonetti, presidente municipal do partido, de articular a formação da equipe. Bonetti deve comandar uma pasta que reunirá Comunicação, Relações Institucionais e Governo.
Ruas publicou um vídeo em que reconheceu o resultado da eleição presidencial e reafirmou sua lealdade a Flávio Bolsonaro. Ele disse que respeita a vontade dos eleitores e que, embora tenha apoiado o senador, governará para todos os fluminenses. O governador eleito afirmou ainda que o PL saiu vitorioso da eleição e que o partido saberá honrar a confiança recebida.
O novo governador informou que se reunirá com o partido para discutir a estrutura do governo e os secretários. Ele disse que pretende anunciar alguns nomes ainda nesta semana. A escolha para a Secretaria de Segurança é uma das mais aguardadas; Ruas discute extinguir as pastas separadas das polícias Civil e Militar, que voltariam a ficar subordinadas à área de Segurança.
Parte da equipe já foi anunciada ou é cotada para cargos. Fernanda Louback, vice-governadora eleita, foi indicada para a Secretaria de Inclusão e Mulher. Gabriela Bessa, coordenadora da transição, é cotada para a Casa Civil. Fábio Araújo deve ser chefe de gabinete, e Anderson Monteze, secretário de Planejamento. Outros dois nomes de mulheres devem ser apresentados ainda nesta semana.
O partido também articula a indicação de Victor Gramado Alves, ex-advogado de Flávio Bolsonaro, para uma das vagas no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) é responsável por indicar três integrantes. Uma vaga está aberta após a condenação do conselheiro Domingos Brazão pelo Supremo Tribunal Federal (STF); outras duas dependem de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A equipe de transição se reuniu com o secretário estadual da Casa Civil, Flávio Willeman, no Palácio Guanabara. O encontro tratou de governabilidade, equilíbrio das contas públicas e segurança. Para a próxima reunião, o grupo prevê elaborar medidas para situações climáticas extremas associadas ao El Niño. O governo atual está atualizando mapas de vulnerabilidade dos municípios, condições dos rios, riscos de inundação e investimentos realizados.
Bessa afirmou que a transição busca oferecer ao governador eleito um diagnóstico dos principais desafios do estado, especialmente nas áreas que exigem respostas imediatas.