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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Camilo Santana ganha força para assumir a Casa Civil de Lula

Após ajudar na virada de Lula no segundo turno, o senador também é associado a vitórias no Ceará; a escolha para o cargo não foi confirmada.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Camilo Santana em um ambiente de trabalho em Brasília Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Camilo Santana em um ambiente de trabalho em Brasília
Resumo em 30 segundos

Camilo Santana ampliou sua influência no grupo político de Lula após participar da estratégia presidencial no segundo turno. O senador também é associado à reeleição de Elmano de Freitas e à vitória de Evandro Leitão em Fortaleza. Seu nome está entre os cotados para a Casa Civil, mas ainda não há confirmação.

O senador Camilo Santana (PT-CE) ganhou espaço na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após ajudar a coordenar a reação petista no segundo turno. As vitórias eleitorais que ele acumulou no Ceará e em Fortaleza também o colocaram entre os principais cotados para assumir a Casa Civil no quarto mandato de Lula, embora a escolha ainda não esteja confirmada.

A atuação de Camilo se soma a três resultados que reforçaram sua influência no grupo político do presidente: a reeleição do governador Elmano de Freitas, a vitória de Evandro Leitão na eleição municipal de Fortaleza em 2024 e a virada de Lula na disputa presidencial. No Ceará, Elmano venceu no primeiro turno com 53,19% dos votos, depois de iniciar a campanha atrás de Ciro Gomes, candidato do PSDB.

As duas vagas do Ceará no Senado ficaram com Cid Gomes (PSB-CE) e Luizianne Lins (Rede-CE). A combinação dos resultados no estado foi descrita por Lula como “barba, cabelo e bigode”. Camilo, que governou o Ceará por dois mandatos, eleitos em 2014 e 2018, teve participação nas articulações políticas dessas disputas.

Na eleição municipal de 2024, Evandro Leitão, então candidato do PT à Prefeitura de Fortaleza, superou André Fernandes (PL), apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Na campanha presidencial deste ano, Lula também venceu após terminar o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL). Camilo passou a atuar diretamente na estratégia nacional depois do resultado da primeira etapa.

O senador chegou a Brasília após a eleição no Ceará e se tornou uma das principais figuras da campanha no cotidiano, participando de conversas com jornalistas, anúncios e decisões políticas. Depois do primeiro turno, manteve encontros diários com Lula. A estratégia mudou de foco: a campanha passou a destacar aspectos que considerava vulneráveis na trajetória de Flávio Bolsonaro e a sustentar que ele reduziria benefícios sociais e faria cortes.

Entre os pontos explorados pelos petistas estavam a relação do senador com integrantes de milícias e sua atuação como advogado de um policial acusado de matar uma menina de cinco anos. Camilo atribuiu parte do desempenho ruim de Lula no primeiro turno, em conversas com aliados, à demora da campanha em apresentar críticas ao adversário e ao governo de Jair Bolsonaro.

A coordenação também teve frentes distintas. O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o deputado federal André Janones (Rede-MG) trabalharam na comunicação para redes sociais, com vídeos em formato de selfie e iniciativas do canal “Exército do Lula”. Camilo concentrou-se nas articulações políticas e estratégicas. Gilberto Carvalho, ex-secretário de Economia Popular que integrou a coordenação, afirmou: “Camilo teve um papel muito importante, sim. Ele e Rafael, especialmente, ajudaram muito a campanha no segundo turno. E também temos de reconhecer o que Janones fez”.

A mudança de orientação ocorreu após críticas internas à condução da campanha no primeiro turno. Aliados criticaram o coordenador-geral, Edinho Silva, por centralizar decisões e limitar a autonomia dos diretórios estaduais. Segundo esses críticos, a concentração contribuiu para a falta de materiais de campanha de Lula para distribuição a eleitores na etapa inicial. A avaliação sobre a atuação de Camilo, porém, não foi unânime dentro do PT.

Um dos temas que ele levou a Lula foi a redução da maioridade penal. Em 14 de outubro, enquanto o Senado discutia o fim da escala 6x1, Camilo se reuniu com o presidente e tratou, entre outros assuntos, da mudança de posição sobre a maioridade penal. A iniciativa surpreendeu integrantes da bancada e dividiu o partido: alguns a criticaram, enquanto aliados do senador entenderam que o PT precisava se aproximar das preocupações do eleitorado.

Na semana seguinte, Camilo apresentou um projeto de lei chamado “Lei Ana Clara”. A proposta pretende impedir que integrantes do Legislativo, em diferentes esferas, atuem como advogados em processos judiciais por crimes contra a vida. O nome remete ao caso da menina de cinco anos morta a tiros de fuzil; a campanha de Lula havia criticado Flávio Bolsonaro por defender, em 2024, o policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de ser o autor do crime.

A possível ida de Camilo para a Casa Civil é associada também à experiência que adquiriu como ministro da Educação durante a maior parte do terceiro governo Lula e ao relacionamento com parlamentares. O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) disse que foi bem recebido por Camilo quando apresentou demandas da Paraíba e o descreveu como “atencioso e diligente”. A Casa Civil coordena a articulação política do governo e acompanha a execução de ações entre ministérios, o que torna o cargo central na relação do Planalto com o Congresso.

Apesar de estar entre os nomes cotados para a função e ser apontado como possível herdeiro político de Lula, Camilo ainda disputa espaço dentro do PT. O senador evita se apresentar como sucessor do presidente, e não há confirmação de que ocupará a Casa Civil no próximo mandato.

Fontes: Estadão

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