Camilo Santana ganha força para assumir a Casa Civil de Lula
Após ajudar na virada de Lula no segundo turno, o senador também é associado a vitórias no Ceará; a escolha para o cargo não foi confirmada.
Resumo em 30 segundos
Camilo Santana ampliou sua influência no grupo político de Lula após participar da estratégia presidencial no segundo turno. O senador também é associado à reeleição de Elmano de Freitas e à vitória de Evandro Leitão em Fortaleza. Seu nome está entre os cotados para a Casa Civil, mas ainda não há confirmação.
O senador Camilo Santana (PT-CE) ganhou espaço na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após ajudar a coordenar a reação petista no segundo turno. As vitórias eleitorais que ele acumulou no Ceará e em Fortaleza também o colocaram entre os principais cotados para assumir a Casa Civil no quarto mandato de Lula, embora a escolha ainda não esteja confirmada.
A atuação de Camilo se soma a três resultados que reforçaram sua influência no grupo político do presidente: a reeleição do governador Elmano de Freitas, a vitória de Evandro Leitão na eleição municipal de Fortaleza em 2024 e a virada de Lula na disputa presidencial. No Ceará, Elmano venceu no primeiro turno com 53,19% dos votos, depois de iniciar a campanha atrás de Ciro Gomes, candidato do PSDB.
As duas vagas do Ceará no Senado ficaram com Cid Gomes (PSB-CE) e Luizianne Lins (Rede-CE). A combinação dos resultados no estado foi descrita por Lula como “barba, cabelo e bigode”. Camilo, que governou o Ceará por dois mandatos, eleitos em 2014 e 2018, teve participação nas articulações políticas dessas disputas.
Na eleição municipal de 2024, Evandro Leitão, então candidato do PT à Prefeitura de Fortaleza, superou André Fernandes (PL), apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Na campanha presidencial deste ano, Lula também venceu após terminar o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL). Camilo passou a atuar diretamente na estratégia nacional depois do resultado da primeira etapa.
O senador chegou a Brasília após a eleição no Ceará e se tornou uma das principais figuras da campanha no cotidiano, participando de conversas com jornalistas, anúncios e decisões políticas. Depois do primeiro turno, manteve encontros diários com Lula. A estratégia mudou de foco: a campanha passou a destacar aspectos que considerava vulneráveis na trajetória de Flávio Bolsonaro e a sustentar que ele reduziria benefícios sociais e faria cortes.
Entre os pontos explorados pelos petistas estavam a relação do senador com integrantes de milícias e sua atuação como advogado de um policial acusado de matar uma menina de cinco anos. Camilo atribuiu parte do desempenho ruim de Lula no primeiro turno, em conversas com aliados, à demora da campanha em apresentar críticas ao adversário e ao governo de Jair Bolsonaro.
A coordenação também teve frentes distintas. O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o deputado federal André Janones (Rede-MG) trabalharam na comunicação para redes sociais, com vídeos em formato de selfie e iniciativas do canal “Exército do Lula”. Camilo concentrou-se nas articulações políticas e estratégicas. Gilberto Carvalho, ex-secretário de Economia Popular que integrou a coordenação, afirmou: “Camilo teve um papel muito importante, sim. Ele e Rafael, especialmente, ajudaram muito a campanha no segundo turno. E também temos de reconhecer o que Janones fez”.
A mudança de orientação ocorreu após críticas internas à condução da campanha no primeiro turno. Aliados criticaram o coordenador-geral, Edinho Silva, por centralizar decisões e limitar a autonomia dos diretórios estaduais. Segundo esses críticos, a concentração contribuiu para a falta de materiais de campanha de Lula para distribuição a eleitores na etapa inicial. A avaliação sobre a atuação de Camilo, porém, não foi unânime dentro do PT.
Um dos temas que ele levou a Lula foi a redução da maioridade penal. Em 14 de outubro, enquanto o Senado discutia o fim da escala 6x1, Camilo se reuniu com o presidente e tratou, entre outros assuntos, da mudança de posição sobre a maioridade penal. A iniciativa surpreendeu integrantes da bancada e dividiu o partido: alguns a criticaram, enquanto aliados do senador entenderam que o PT precisava se aproximar das preocupações do eleitorado.
Na semana seguinte, Camilo apresentou um projeto de lei chamado “Lei Ana Clara”. A proposta pretende impedir que integrantes do Legislativo, em diferentes esferas, atuem como advogados em processos judiciais por crimes contra a vida. O nome remete ao caso da menina de cinco anos morta a tiros de fuzil; a campanha de Lula havia criticado Flávio Bolsonaro por defender, em 2024, o policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de ser o autor do crime.
A possível ida de Camilo para a Casa Civil é associada também à experiência que adquiriu como ministro da Educação durante a maior parte do terceiro governo Lula e ao relacionamento com parlamentares. O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) disse que foi bem recebido por Camilo quando apresentou demandas da Paraíba e o descreveu como “atencioso e diligente”. A Casa Civil coordena a articulação política do governo e acompanha a execução de ações entre ministérios, o que torna o cargo central na relação do Planalto com o Congresso.
Apesar de estar entre os nomes cotados para a função e ser apontado como possível herdeiro político de Lula, Camilo ainda disputa espaço dentro do PT. O senador evita se apresentar como sucessor do presidente, e não há confirmação de que ocupará a Casa Civil no próximo mandato.