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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Kearney prevê crescimento médio de 1,7% para o PIB do Brasil até 2028

A estimativa para 2026 a 2028 caiu de 2%; petróleo nacional e fontes renováveis ajudam a proteger a economia, mas juros altos e incerteza fiscal pesam.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Parque eólico e instalações de produção de petróleo em uma paisagem brasileira. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Parque eólico e instalações de produção de petróleo em uma paisagem brasileira.
Resumo em 30 segundos

A Kearney projeta que o PIB brasileiro cresça, em média, 1,7% ao ano entre 2026 e 2028, abaixo da estimativa anterior, de 2%. Petróleo, energia renovável e biocombustíveis ajudam a amortecer choques externos, mas juros elevados e incertezas fiscais limitam a expansão. Outros economistas também esperam crescimento moderado.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer, em média, 1,7% ao ano entre 2026 e 2028, segundo projeção da consultoria Kearney. A estimativa foi reduzida em 0,3 ponto percentual em relação à previsão anterior, de 2%, e reflete o efeito de juros elevados e inflação sobre a atividade econômica, apesar de fatores que ajudam a proteger o país de choques externos.

A produção nacional de petróleo, a geração de energia renovável e a infraestrutura de biocombustíveis contribuem para amortecer os impactos da crise energética internacional, de acordo com o estudo Global Economic Outlook 2026-2028. Esse conjunto de recursos também pode posicionar o Brasil para atrair investimentos ligados à transição energética. Ainda assim, o custo do crédito e as incertezas fiscais limitam o ritmo de expansão.

Fabio Yoshitome, sócio da Kearney, afirmou que a exposição brasileira a turbulências no mercado de petróleo é menor por causa da produção doméstica e das fontes de energia disponíveis. Para ele, porém, os juros são um entrave importante ao crescimento. A taxa básica estava em 13,75% no momento da publicação do estudo, após chegar a 15% em novembro de 2025, o maior nível em quase 20 anos.

A previsão da consultoria para o Brasil fica acima das estimativas para México e Canadá, de 1,6% e 1,5%, respectivamente, mas abaixo das projeções para Argentina, de 2,6%, e Estados Unidos, de 2,5%. Para as Américas como um todo, o crescimento previsto é de 2% em 2026, com recuperação gradual até 2028.

No cenário mundial, a Kearney estima expansão de 2,6% em 2026, 2,9% em 2027 e 3% em 2028. A inflação global deve alcançar 4,5% em 2026 e ter média de 3,8% até 2028, acima dos patamares anteriores à pandemia. O relatório descreve um ambiente de instabilidade recorrente, marcado por diferenças entre países e setores e por mudanças nas cadeias de comércio e investimento.

As projeções de outras instituições também apontam para um crescimento brasileiro moderado, embora com variações. Rodrigo Nishida, economista da 4intelligence, prevê expansão média de 1,5% no triênio de 2026 a 2028. Para 2027, estima 1,2%, enquanto a Kearney não detalha, no dado divulgado, uma taxa anual específica para o Brasil naquele ano.

Nishida espera que o PIB melhore em 2028 e se aproxime de 1,8%. Ele relaciona o desempenho mais fraco previsto para 2027 à política monetária restritiva, ao endividamento de famílias e empresas e à expectativa de menor impulso fiscal. Também menciona possíveis efeitos do El Niño sobre o agronegócio. As previsões, segundo o economista, dependem de maior clareza sobre as decisões do governo eleito para a política fiscal.

Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), avalia que será mais difícil manter um crescimento médio próximo de 2%, pois espera uma expansão muito baixa no próximo ano. Na avaliação dela, o PIB de 2027 pode ficar perto de 1% ou abaixo disso. Matos atribui os riscos tanto ao cenário geopolítico quanto a questões internas de gestão fiscal e macroeconômica.

A economista afirma que juros altos podem conter a atividade e defende equilíbrio nas contas públicas para reduzir o custo do crédito e dar previsibilidade aos investimentos. Yoshitome também aponta o desafio fiscal: investidores comparam o retorno potencial no Brasil ao de outras economias, e a Selic elevada torna mais difícil justificar a tomada de risco. A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para influenciar os juros e a inflação no país.

A Kearney destaca ainda que conflitos, restrições em rotas comerciais e eventos climáticos extremos podem afetar custos, produção e logística. O relatório estima que os investimentos globais em energia alcancem US$ 3,4 trilhões em 2026, alta de 5% em relação ao ano anterior. No Brasil, a expansão desse setor depende também de infraestrutura capaz de atender novos projetos.

A inteligência artificial é apontada como outro motor de investimento, especialmente em semicondutores, centros de processamento de dados, conectividade e energia. Esses projetos, porém, demandam eletricidade, água, terrenos, licenças e financiamento. A disponibilidade desses recursos pode definir a capacidade de o país receber empreendimentos e transformar vantagens energéticas em crescimento.

O estudo recomenda que empresas avaliem se novos investimentos reduzem dependências de fornecedores, mercados ou rotas específicas, se elevam produtividade ou receita e se permitem mudar de estratégia quando as condições se alterarem. Para Yoshitome, preparar-se para choques e preservar alternativas pode ajudar as companhias a lidar com a volatilidade e aproveitar oportunidades de longo prazo.

Fontes: Valor Econômico, Zero Hora, O Globo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

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