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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Governadores do Nordeste ficam sem maioria de esquerda em 2026

Lula somou 24,45 milhões de votos nos nove estados, mas o resultado presidencial não se converteu em apoio automático aos candidatos estaduais de esquerda.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitor deposita uma cédula em urna durante a votação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitor deposita uma cédula em urna durante a votação.
Resumo em 30 segundos

Lula ampliou sua votação no Nordeste no segundo turno, mas os partidos de esquerda não conquistaram a maioria dos governos estaduais da região. O PT venceu em quatro estados; PSD, PSDB e PP também elegeram governadores. O resultado ainda projetou lideranças regionais e mostrou a diversidade de prioridades dos eleitores.

A eleição de 2026 confirmou a força de Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste, mas deixou a esquerda sem maioria entre os governadores da região pela primeira vez desde 2006. O resultado também abriu espaço para disputas por influência nacional entre lideranças nordestinas, enquanto os partidos e os eleitores se dividiram em relação às eleições estaduais e às prioridades políticas.

No segundo turno presidencial, Lula recebeu 24,45 milhões de votos nos nove estados nordestinos, contra 10,8 milhões de Flávio Bolsonaro (PL). O presidente obteve cerca de três milhões de votos a mais na região do que no primeiro turno. Depois de uma primeira rodada em que Flávio chegou a ficar dois pontos percentuais à frente, Lula ampliou sua vantagem sobre ele em 1.771 dos 1.794 municípios nordestinos.

A vitória fortaleceu lideranças do PT que participaram da campanha. O governador do Piauí, Rafael Fonteles, e os ex-governadores Camilo Santana, do Ceará, e Rui Costa, da Bahia, estão entre os nomes que buscam ampliar sua projeção no cenário nacional. A articulação ocorre enquanto se discute a composição do novo governo e a sucessão de Lula, que iniciará seu último mandato presidencial.

O PT elegeu governadores na Bahia, no Ceará, no Piauí e no Rio Grande do Norte, repetindo o resultado que alcançou em 2018 e 2022. O PSB, que havia conquistado dois governos estaduais quatro anos antes, não elegeu nenhum governador na região. As demais vitórias ficaram com PSD, PSDB e PP.

O PSD venceu em Pernambuco, Maranhão e Sergipe; o PSDB, em Alagoas; e o PP, na Paraíba. Dois dos eleitos desses partidos apoiaram Lula na disputa presidencial: Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba, e Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe. Raquel Lyra, reeleita em Pernambuco, Eduardo Braide, eleito no Maranhão, e JHC, que governará Alagoas, adotaram neutralidade na eleição para presidente.

A mudança também apareceu nas disputas para o Congresso. Foram eleitos para o Senado nomes identificados com a direita, como Lahesio Bonfim (Novo-MA) e Arthur Lira (PP-AL). Na Câmara, deputados ligados ao centrão perderam espaço para políticos com posições mais ideológicas e incisivas, segundo o balanço das eleições.

A votação presidencial, porém, não significa que a identificação dos nordestinos com Lula ou com governos petistas tenha eliminado outras preocupações. Segurança pública, inflação e preço dos alimentos também pesaram nas escolhas. A campanha expôs eleitores que reconhecem os efeitos de obras e políticas sociais, mas passaram a priorizar questões econômicas ou avaliar de forma diferente os governos anteriores.

O resultado de primeiro turno preocupou aliados de Lula: Flávio reduziu a vantagem do presidente em 98% dos municípios nordestinos em comparação com a votação de Jair Bolsonaro em 2022. A mobilização para a etapa final alterou o quadro. No segundo turno, Lula ampliou sua margem em quase todos os municípios da região, embora as disputas estaduais tenham mostrado que o voto presidencial não se converteu automaticamente em apoio a candidatos de esquerda.

Entre as lideranças que ganharam destaque está Fátima Bezerra (PT), governadora do Rio Grande do Norte e cotada para ser ministra. Ela ajudou a eleger seu ex-secretário Cadu Xavier (PT), conhecido como Cadu de Lula, que conquistou votos também entre eleitores bolsonaristas. Em Pernambuco, a derrota de João Campos afastou a principal aposta do PSB de um projeto de alcance nacional; Marília Arraes (PDT), por sua vez, foi eleita senadora em dobradinha com Humberto Costa (PT).

As articulações para o governo federal podem definir os próximos passos de alguns dos quadros petistas. Camilo Santana pode sair na frente se for confirmado para a Casa Civil. Fonteles é cotado para o Ministério da Fazenda, mas uma nomeação exigiria que renunciasse ao mandato de governador; Rui Costa deve permanecer no Senado, onde Lula precisará lidar com uma maioria de direita.

A força eleitoral de Lula no Nordeste, portanto, convive com uma representação estadual mais fragmentada. Para os partidos de esquerda, o desafio do próximo ciclo será manter apoio por meio de obras e políticas públicas e renovar suas lideranças, enquanto os nomes regionais tentam transformar o peso dos votos nordestinos em influência nacional.

Fontes: Folha de S.Paulo

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