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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Lula planeja novo núcleo de poder e mudanças após reeleição

Camilo Santana é apontado como favorito para a Casa Civil, enquanto Lula avalia nomes para a equipe econômica e negociações com um Congresso fortalecido.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Lula em um escritório presidencial, sentado à mesa com documentos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Lula em um escritório presidencial, sentado à mesa com documentos.
Resumo em 30 segundos

Após a reeleição, Lula deverá reorganizar seu núcleo de governo e reformular a equipe econômica. Camilo Santana é cotado para a Casa Civil, e Luiz Carlos Trabuco Cappi é citado como referência para a Fazenda. Promessas de campanha e mudanças no Judiciário e nas emendas parlamentares dependerão de acordos com o Congresso.

Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito neste domingo (25) para um quarto mandato na Presidência e deverá reorganizar o núcleo mais próximo do governo, reformular a equipe econômica e buscar mudanças nas regras do Judiciário e das emendas parlamentares. A implementação dessas propostas dependerá de negociações com um Congresso em que o bolsonarismo saiu fortalecido e o presidente terá de buscar apoio de partidos de centro.

Uma das principais mudanças em discussão é a escolha de um novo titular para a Casa Civil, ministério que coordena a atuação dos demais integrantes do governo e participa da formulação de decisões políticas. O ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT) é apontado como favorito para o posto, depois de se aproximar de Lula durante o mandato e atuar na campanha após o primeiro turno.

Santana também esteve ligado à estratégia eleitoral ao lado do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT). Lula teria ficado satisfeito com a vitória do grupo político do ex-ministro na disputa pelo governo do Ceará, considerada difícil. A mudança na Casa Civil reduziria o espaço do grupo petista da Bahia, associado ao ex-ministro Rui Costa, ao senador Jaques Wagner e aos ministros Sidônio Palmeira e Wellington Lima e Silva.

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, que era considerado favorito para a Casa Civil antes do primeiro turno, também pode ocupar um cargo de destaque. Ele perdeu a disputa pelo governo de São Paulo para Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas continua próximo de Lula. Haddad aceitou concorrer ao governo paulista após insistência do presidente e, segundo aliados, considera injustas as críticas recebidas pela derrota; também avalia retomar a carreira de professor universitário.

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, é cotado para integrar o novo núcleo de poder. Na equipe econômica, Lula avalia escolher um nome com reconhecimento no mercado financeiro. Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do conselho de administração do Bradesco, é citado por aliados como referência do perfil pretendido para o Ministério da Fazenda.

A reorganização também envolve a profissionalização da estrutura de apoio ao presidente. Após o afastamento do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, passou a ajudar na organização da agenda presidencial e é lembrado para chefiar o gabinete. Ribeiro foi citado em investigação sobre tráfico de influência por ter recebido pagamentos da lobista Roberta Luchsinger. Ele afirma que os valores eram um empréstimo, quitado recentemente.

Na área econômica, o governo terá de conciliar compromissos sociais e de investimento com a pressão para conter despesas e a trajetória da dívida pública. Lula prometeu manter o arcabouço fiscal, regra que estabelece limites para o crescimento das despesas federais, e controlar o gasto primário. Ao mesmo tempo, defendeu ampliar programas e investimentos, o que pode tornar essa conciliação um dos desafios do novo mandato.

Entre as promessas de campanha estão a expansão do Pé-de-Meia para estudantes do ensino superior, a oferta de transporte público gratuito aos fins de semana e depósitos de R$ 5.000 para microempreendedores individuais ampliarem seus negócios. Lula também defendeu o perdão de dívidas de MEIs com o governo federal. O pacote voltado a esse grupo, aprovado pelo Congresso, prevê elevar o limite de enquadramento de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e perdoar R$ 15 bilhões em dívidas.

O financiamento do passe livre deverá envolver recursos de emendas parlamentares, verbas indicadas por deputados e senadores para obras e iniciativas em suas bases eleitorais. Lula pretende discutir o controle desses recursos e criticou o poder do Legislativo sobre o Orçamento. A resistência do Congresso é esperada, porque partidos do Centrão defendem a manutenção da influência parlamentar sobre as emendas.

Lula também prometeu uma reforma política, com mudanças nos fundos partidário e eleitoral, e defendeu alterações no Judiciário. Entre as propostas que já apresentou estão mandatos para integrantes de tribunais superiores e a criação de um conselho para participar da indicação de seus membros. A discussão ganhou força após o desgaste da imagem do Supremo Tribunal Federal associado ao caso do Banco Master.

Outra proposta em análise é separar o Ministério da Justiça e criar uma pasta da Segurança Pública. A mudança dependeria da aprovação de uma emenda à Constituição que permita sua implementação. O programa de governo ainda prevê mudanças para ampliar a eficiência e a transparência do sistema de Justiça, além de regras éticas para magistrados.

A composição do grupo mais próximo de Lula também será observada como sinal da renovação de lideranças no PT e na esquerda. O presidente não deverá disputar outra eleição, e o partido terá de apresentar novos nomes para 2030 e os pleitos seguintes. Aliados consideram possível apoiar uma candidatura de fora do PT, enquanto nomes tradicionais da sigla não conseguiram se eleger neste domingo.

No campo da política industrial, Lula defendeu ampliar investimentos em defesa e tecnologia e processar no Brasil matérias-primas como minerais críticos antes de exportá-las. A proposta busca agregar etapas de produção no país. A capacidade do governo de avançar nessas medidas, assim como nas mudanças sobre emendas e Judiciário, dependerá de acordos com o Congresso e da definição da nova equipe ministerial.

Fontes: Folha de S.Paulo

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