Lula considera três nomes para novo Ministério da Segurança Pública
Lincoln Gakiya, Rui Costa e Camilo Santana são cotados para comandar a pasta, cuja criação depende da aprovação da PEC da Segurança no Senado.
Resumo em 30 segundos
A criação de um Ministério da Segurança Pública é apontada como a principal mudança prevista para a Esplanada no quarto mandato de Lula. Lincoln Gakiya, Rui Costa e Camilo Santana estão entre os nomes cotados, mas nenhum foi sondado. A proposta depende da aprovação da PEC da Segurança no Senado.
A criação de um Ministério da Segurança Pública é apontada como a principal mudança prevista para a Esplanada no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os nomes considerados para comandar a pasta estão o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e os políticos Rui Costa e Camilo Santana, mas nenhum deles foi sondado para o cargo até agora, segundo interlocutores do presidente.
A nova estrutura é uma promessa de campanha de Lula e busca dar maior protagonismo ao governo federal no enfrentamento ao crime organizado. A proposta depende da aprovação, pelo Senado, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, uma das prioridades do governo para análise até o fim do ano. O texto prevê novas atribuições federais na gestão da área.
Se a pasta for criada, a segurança pública será separada do Ministério da Justiça e passará a ter um ministério próprio. A definição de um orçamento específico também seria discutida após a mudança. A sigla da eventual pasta não foi indicada.
Gakiya integra o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e atua há duas décadas no combate a organizações criminosas. Ele é conhecido pelo trabalho contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em 2019, pediu a transferência de Marcola e de outros 21 integrantes da facção para o sistema penitenciário federal, em uma iniciativa que, segundo o relato do promotor, colocou sua vida em risco.
Rui Costa e Camilo Santana são considerados por sua experiência administrativa e proximidade com Lula. Rui foi governador da Bahia, e Camilo, do Ceará. Aliados do presidente também destacam que os dois defendem um discurso mais duro contra a criminalidade. Ambos teriam influenciado a posição pública de Lula sobre o endurecimento de penas e a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.
Durante a campanha, Lula afirmou ser favorável à redução da idade penal para esse tipo de crime. “Em todo e qualquer crime hediondo, eu sou a favor de reduzir a maioridade penal (...) Eu acho que a sociedade brasileira inteira é a favor”, disse em entrevista ao Jornal Nacional, no segundo turno.
A escolha de Gakiya não é consensual entre os aliados do presidente. Parte deles considera importante que o futuro ministro já tenha experiência de gestão e relação próxima com Lula, pois a pasta deverá ser cobrada por resultados e precisará definir uma marca própria. O presidente tem simpatia pela trajetória do promotor, mas não mantém convivência com ele, segundo interlocutores.
A criação do ministério também concretizaria a promessa de ampliar a participação federal na segurança pública. A PEC é o passo legislativo necessário para reorganizar as atribuições do governo; até que seja aprovada e a estrutura definida, não há nome confirmado para chefiar a eventual pasta.
Para entender
- PEC da Segurança
- Proposta de emenda à Constituição que prevê novas atribuições para o governo federal na gestão da segurança pública. A mudança precisa ser aprovada pelo Congresso para que as regras constitucionais sejam alteradas.