Governo propõe perdão de dívida do Simples para eventos e bares
Projeto ainda precisa ser enviado e aprovado pelo Congresso; proposta pode alcançar quase 400 mil empreendimentos e envolve R$ 15 bilhões em débitos.
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O governo pretende enviar ao Congresso um projeto para perdoar dívidas com a União de empresas do setor de eventos inscritas no Simples Nacional, além de bares e restaurantes. A estimativa é de R$ 15 bilhões em débitos e quase 400 mil empreendimentos alcançados. A proposta ainda não foi apresentada nem aprovada, e suas regras não foram detalhadas.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva pretende enviar ao Congresso um projeto de lei para perdoar dívidas com a União de empresas do setor de eventos inscritas no Simples Nacional, além de bares e restaurantes. A proposta foi anunciada nesta sexta-feira, 23, em Brasília, pelo ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, e pelo senador Camilo Santana, a dois dias do segundo turno da eleição presidencial.
O montante dos débitos é estimado em R$ 15 bilhões, e a medida pode alcançar quase 400 mil empreendimentos, segundo Camilo. O projeto ainda precisa ser apresentado e aprovado pelo Congresso para que o perdão entre em vigor. As empresas do Simples podem faturar até R$ 4,8 milhões por ano; o regime reúne microempresas e empresas de pequeno porte e unifica o pagamento de tributos.
A proposta foi discutida em reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Pereira disse que o governo considera que o setor foi bastante afetado nos últimos anos e que o perdão poderia permitir que empresas com dívidas voltem a operar em situação regular e a pagar impostos. Segundo Camilo, a medida seria acompanhada por uma linha de crédito para empreendedores do setor.
O ministro também afirmou que o governo prepara financiamento para pequenas empresas por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), voltado ao aumento da produtividade. Camilo disse que a reforma tributária, cuja implementação começa em 2027, impedirá a concessão de subsídios fiscais nos moldes atuais. O governo também pretende atualizar o teto do Simples, mas ainda elabora um cronograma para a mudança.
A iniciativa foi apresentada na mesma semana em que o senador Flávio Bolsonaro, adversário de Lula na eleição, afirmou que pretende retomar, caso seja eleito, o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). Criado em 2021 para apoiar empresas afetadas pela pandemia, o programa reduziu tributos federais para negócios do setor. A gestão Lula criticou o Perse e apontou indícios de fraudes e lavagem de dinheiro, além de benefícios concedidos a grandes empresas e pessoas fora do segmento.
O anúncio ocorre após Lula sancionar, na quarta-feira, 21, uma lei complementar que ampliou as regras para microempreendedores individuais (MEIs) e perdoou dívidas dessa categoria. A medida para o setor de eventos, porém, ainda depende de um projeto específico. O anúncio do governo não detalhou regras de elegibilidade, procedimentos para consultar débitos, parcelamento ou descontos além do perdão proposto; também não esclareceu como eventuais dívidas encaminhadas a protesto seriam tratadas.
Para entender
- Simples Nacional
- Regime tributário voltado a microempresas e empresas de pequeno porte. Ele reúne o pagamento de tributos em uma guia única e tem limite de faturamento anual definido em lei.