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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Ana Botín vê independência do BC como sinal de confiança no Brasil

A executiva também chamou a oferta de ações do Santander Brasil de aposta de médio prazo e defendeu mudanças fiscais diante da economia digital.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Ana Botín fala ao microfone em um evento empresarial, diante de uma plateia desfocada. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Ana Botín fala ao microfone em um evento empresarial, diante de uma plateia desfocada.
Resumo em 30 segundos

Ana Botín afirmou que o governo Lula deu sinais de confiança aos mercados, citando a independência do Banco Central e a solidez das instituições brasileiras. A presidente-executiva do Santander também relacionou a oferta de ações do Santander Brasil a uma aposta de médio prazo e defendeu um novo contrato social para lidar com os desafios fiscais da economia digital.

Ana Botín, presidente-executiva do Grupo Santander, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu sinais de confiança aos mercados, citando como exemplo a independência do Banco Central (BC). A executiva falou sobre o Brasil durante o XXII Encontro Santander América Latina, ao comentar também a oferta pública de aquisição (OPA) voluntária do Santander Brasil e a situação fiscal do país.

Botín avaliou que o BC brasileiro é “igual ou mais independente que qualquer um de qualquer país desenvolvido”. Para ela, o país tem instituições sólidas. A executiva comparou o sistema brasileiro ao dos Estados Unidos, onde, segundo afirmou, há mecanismos de freios e contrapesos que limitam a margem de ação dos governos, tanto para promover mudanças positivas quanto negativas.

A independência do Banco Central significa que a instituição pode tomar decisões de política monetária com autonomia em relação ao governo. No Brasil, a autoridade define a taxa básica de juros e atua para cumprir as metas de inflação. A autonomia do BC foi estabelecida por lei, que também fixou mandatos para seus dirigentes.

Ao falar sobre o cenário político, Botín declarou que o Santander mantém apoio e colaboração com governos democraticamente eleitos nos países em que atua. Ela também afirmou que os resultados de eleições devem ser respeitados e que a cooperação entre os setores público e privado continuará sendo importante nos mercados onde o grupo opera.

Sobre a OPA voluntária do Santander Brasil, Botín disse que a iniciativa demonstra a confiança da matriz no país e representa uma aposta de médio prazo. A operação, segundo ela, envolve vários bilhões de dólares em investimento adicional no Brasil. Uma OPA é uma oferta para comprar ações de uma empresa; quando voluntária, é apresentada por iniciativa do comprador, e não por uma obrigação legal decorrente de uma mudança de controle.

A executiva afirmou que as questões fiscais não são exclusivas do Brasil, mas fazem parte de um desafio global. Em sua avaliação, a economia digital ainda funciona sob estruturas criadas para a era industrial, o que traz efeitos para a tributação. Ela defendeu um novo contrato social que considere essa transformação e inclua temas como transparência e concorrência.

Botín disse ter confiança de que o Brasil vai compreender quais mudanças são necessárias na área fiscal. A executiva não detalhou medidas específicas. Ao comentar as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, afirmou que as decisões dos eleitores devem ser respeitadas e reiterou a importância da colaboração entre governos e empresas.

Para entender

Autonomia do Banco Central
A autonomia do Banco Central do Brasil foi estabelecida pela Lei Complementar nº 179, de 2021. A norma prevê mandatos fixos para o presidente e os diretores da instituição e busca reduzir a influência política sobre decisões de política monetária.

Fontes: Valor Econômico

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