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Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Prefeitura de SP prevê retirar famílias para criar Esplanada do Rock

O auxílio-aluguel em SP previsto para os moradores é de R$ 400; a prefeitura afirma que, depois, as famílias serão encaminhadas para moradias.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Prédios antigos e área urbana no centro de São Paulo, perto da Galeria do Rock. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Prédios antigos e área urbana no centro de São Paulo, perto da Galeria do Rock.
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A Prefeitura de São Paulo planeja desocupar três prédios municipais na avenida Rio Branco para construir uma praça perto da Galeria do Rock. Cerca de 135 famílias vivem nas ocupações, segundo estimativa de movimentos de moradia. O município prevê começar o atendimento com auxílio-aluguel de R$ 400 e depois destiná-las a moradias.

A Prefeitura de São Paulo planeja retirar famílias de duas ocupações na avenida Rio Branco, no centro, para construir a Esplanada do Rock, uma praça próxima à Galeria do Rock. O município cadastrou moradores dos imóveis, onde vivem cerca de 135 famílias, segundo estimativa de movimentos de moradia, e prevê oferecer auxílio-aluguel antes de encaminhá-los para moradia definitiva.

As ocupações Rio Branco 47 e Rio Branco 53 estão instaladas há cerca de 15 anos em três prédios municipais, que abrigaram hotéis e o antigo Cine América, também chamado de Cine Arizona. A Secretaria Municipal de Habitação informou que o cadastramento ainda está em andamento e que só depois será possível determinar o número de famílias atendidas.

O auxílio-aluguel previsto pela prefeitura é de R$ 400. Moradores e representantes dos movimentos temem que o benefício seja pago por tempo indeterminado ou que as famílias sejam transferidas para apartamentos longe do centro. As lideranças defendem uma solução habitacional definitiva e dizem não ter sido informadas previamente sobre o projeto da praça.

A prefeitura afirmou que o atendimento começará pelo auxílio-aluguel e, posteriormente, as famílias serão destinadas a moradias. O benefício é uma assistência temporária para custear parte do aluguel; não equivale à entrega de um imóvel nem, por si só, garante quando ocorrerá a mudança para uma residência permanente. A informação disponível sobre esse projeto não detalha critérios de elegibilidade, duração do pagamento ou como será feito o cadastro para solicitar o auxílio.

A licitação para elaborar o projeto executivo e executar a obra foi publicada na terça-feira, dia 20. O resultado está previsto para 16 de novembro, e o contrato terá prazo de 18 meses. O custo estimado é de R$ 9,5 milhões.

A área total do projeto é de aproximadamente 5.200 metros quadrados, incluindo intervenções nas ruas e calçadas. A praça ocupará 2.292 metros quadrados e deverá ter jardins, parquinho infantil, iluminação cênica e fontes. A proposta também prevê transformar a rua do Boticário em uma via compartilhada, com prioridade para pedestres e redução da velocidade dos veículos.

As secretarias municipais de Urbanismo e Licenciamento e a São Paulo Urbanismo afirmaram que o novo espaço ampliará áreas verdes, lazer e convivência e complementará o largo do Paissandu. A praça ficaria na confluência de duas linhas de veículo leve elétrico planejadas para a região. Segundo justificativa técnica da SP Urbanismo, o local também poderá facilitar a circulação de passageiros e receber atividades culturais de pequeno porte.

A proposta foi desenvolvida a partir de estudos ligados ao Bonde São Paulo, projeto de veículo leve para o centro. Em abril, a prefeitura acrescentou R$ 216,5 mil ao contrato desses estudos para incluir o projeto preliminar da esplanada. O município sustenta que a obra pode melhorar a arborização, a drenagem e o microclima do entorno.

O nome Esplanada do Rock faz referência à Galeria do Rock, nas proximidades. A prefeitura disse que a denominação ainda não é definitiva. Antes, o espaço havia sido chamado de praça do Boticário, em referência à rua vizinha.

A área já foi alvo de outros planos municipais que não saíram do papel, entre eles a construção de um circo-escola e, mais recentemente, de um prédio para estudantes. Uma decisão judicial que garantiu a permanência das famílias impediu a implantação do circo-escola.

Os imóveis são ocupados por famílias vinculadas ao Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC), na Rio Branco 47, e ao Movimento de Moradia Central e Regional (MMCR), na Rio Branco 53. Carmen Silva, fundadora do MSTC, defende a construção de um prédio habitacional com 600 unidades no local. Jomarina Fonseca, coordenadora da outra ocupação, também pede que os moradores sejam encaminhados diretamente para moradias definitivas.

Os residentes relatam preocupação com a saída e com a possibilidade de perder a proximidade de serviços e atividades do centro. Gabriela Queiroz, estudante de 24 anos, afirma que morar na região permitiu que ela frequentasse um cursinho pré-vestibular e que a filha participasse de atividades como balé, judô e capoeira. Ela diz que não gostaria de ser transferida para longe, embora reconheça as limitações dos pequenos cômodos e a incerteza sobre a permanência.

Fontes: Folha de S.Paulo

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