Alexandre Espinosa pede ao TSE anulação da candidatura de Canella
O parecer cita indícios de vínculos com milícias e o Comando Vermelho; os ministros do tribunal ainda vão decidir se mantêm o registro eleitoral.
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O vice-procurador-geral eleitoral pediu ao TSE que anule o registro da candidatura de Márcio Canella, eleito deputado estadual no Rio. O parecer cita indícios de vínculos com milícias e o Comando Vermelho, além de provas de inquérito da Polícia Federal. O pedido ainda será julgado pelos ministros.
O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, pediu nesta sexta-feira (23) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que anule o registro da candidatura de Márcio Canella (União Brasil), eleito deputado estadual no Rio de Janeiro. O parecer afirma que há indícios de vínculos do político com milícias e o Comando Vermelho e solicita que o tribunal reverta decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que havia liberado a candidatura.
Canella recebeu 197.178 votos e foi o segundo candidato mais votado para a Assembleia Legislativa do Estado. O Ministério Público Eleitoral sustenta que a Constituição impede partidos de utilizar organizações paramilitares e que, conforme entendimento do TSE, a restrição pode valer sem condenação criminal definitiva, desde que as provas indiquem vínculo suficientemente robusto.
O parecer afirma que o TRE-RJ decidiu sem acesso às provas do inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O sigilo dos autos foi retirado neste mês. Espinosa pede que o TSE considere esse material ao analisar o recurso contra o deferimento do registro.
Entre os elementos citados estão nomeações feitas por Canella em diferentes cargos públicos. Quando era deputado estadual, ele manteve no gabinete Giane Prudêncio, mulher de Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura e apontado como líder do grupo miliciano Bonde do Jura. Já como prefeito de Belford Roxo, em 2025, nomeou para secretarias municipais dois homens que, segundo o parecer, eram lideranças de milícias locais. Um deles tinha condenação por constituição de milícia; o outro foi condenado por extorsão e porte ilegal de arma.
O documento também aponta suspeitas de que a operação Barricada Zero, apresentada como ação para retirar obstáculos do tráfico, tenha incluído acordos informais com o Comando Vermelho. Segundo a interpretação do vice-procurador, esses entendimentos permitiriam obras e gravações em comunidades antes da devolução do controle territorial à facção.
Canella também é investigado na Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que apura um esquema de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis. Na oitava fase, em 15 de outubro, ele foi preso preventivamente. A investigação aponta suspeita de que a rede tenha movimentado R$ 7,6 bilhões e atribui ao político possível papel de articulador e recebimento de dinheiro em espécie.
Em julho, Canella já havia sido preso durante uma fase anterior da operação, quando agentes apreenderam em seu carro um fuzil de uso restrito, R$ 919 mil e US$ 13 mil. O parecer eleitoral não equivale a uma decisão do TSE: caberá aos ministros julgar o pedido e decidir se o registro da candidatura será mantido.