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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Thiago Navarro leva música criada com IA a milhões de visualizações

A faixa “Bonito, bonito” superou oito milhões de visualizações no YouTube e ganhou uma versão da dupla mexicana Río Roma, enquanto alimenta debates sobre autoria.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Microfone e equipamentos em um estúdio de música com formas abstratas na tela de um computador. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Microfone e equipamentos em um estúdio de música com formas abstratas na tela de um computador.
Resumo em 30 segundos

Thiago Navarro é um cantor virtual criado com inteligência artificial por Anier Cruz Revilla, compositor cubano que escreveu “Bonito, bonito”. A música viralizou, ultrapassou oito milhões de visualizações no YouTube e ganhou uma versão da dupla Río Roma. O sucesso também reacendeu discussões sobre autoria, transparência e direitos autorais na música feita com IA.

Thiago Navarro, personagem musical criado com inteligência artificial (IA), ganhou projeção com a canção “Bonito, bonito”, que viralizou em plataformas digitais e chegou a mais de oito milhões de visualizações no YouTube até 23 de setembro. Por trás do cantor virtual está Anier Cruz Revilla, compositor cubano que escreveu a letra e usou ferramentas de IA para produzir a voz, as melodias e a identidade do artista.

Navarro se apresenta nas redes como cantor digital, mas não existe fisicamente. O Spotify identifica o perfil como “Pessoa IA”, e o YouTube sinaliza o vídeo como “Criado com IA”. A música foi lançada em 3 de agosto, em um EP que leva o mesmo nome, e se espalhou também por meio de uma coreografia compartilhada nas redes. O cantor Carlos Baute publicou conteúdo relacionado à canção.

O projeto chegou a uma colaboração com a dupla mexicana Río Roma, que gravou uma versão própria de “Bonito, bonito”. Cruz contou que já havia tentado entrar em contato com José Luis Ortega, depois de receber comentários de pessoas que diziam que a música combinava com a dupla. Um amigo em comum os aproximou em Miami. Na gravação, a voz de Navarro aparece no início, e Alex, filho de Raúl Ortega, participa nos vocais de apoio.

Cruz descreve seu papel como o de um compositor que cria uma música para ser interpretada por outra pessoa. Ele escreveu a letra, experimentou sons e arranjos e recorreu a diferentes ferramentas para gerar a voz e completar a produção. O processo combina decisões humanas com sistemas que produzem elementos sonoros e visuais a partir de instruções e materiais fornecidos pelo criador.

O produtor musical, arranjador e professor Manuel Garrido-Lecca afirma que a IA não cria de forma independente: depende de informações e orientações humanas. Uma melodia simples, por exemplo, pode servir de ponto de partida para que o sistema desenvolva uma composição. Para ele, a tecnologia amplia o que pode ser produzido, mas não elimina a participação de quem escolhe as ideias e conduz o resultado.

“Bonito, bonito” também entrou no YouTube Trends, ranking de vídeos populares da plataforma, em países de língua espanhola: o vídeo com a letra chegou ao décimo lugar na Espanha e ao 49º no Peru. O sucesso levou a debates sobre autoria e direitos autorais. Depois que a origem artificial do cantor se tornou conhecida, parte dos ouvintes passou a questionar a música, e músicos apontaram supostas semelhanças com outras obras. Cruz respondeu às críticas lembrando que tecnologias musicais como o Auto-Tune também foram alvo de rejeição quando começaram a ser usadas.

A discussão envolve a diferença entre usar IA em etapas de uma produção e atribuir a uma figura digital a identidade de um artista. Garrido-Lecca diz que a relação do público com músicos costuma depender de uma conexão emocional com a voz, a melodia e a história apresentada. Na avaliação dele, a repetição de uma faixa em vídeos e tendências também pode provocar saturação e reduzir o interesse, mesmo quando a música agrada inicialmente.

Cantores virtuais e personagens digitais não são uma novidade. A japonesa Kyoko Date foi lançada em 1996, e Hatsune Miku se tornou um fenômeno a partir de 2007, com apresentações em formato de holograma. Miku é uma Vocaloid, personagem que canta por meio de um software de síntese vocal: usuários inserem letras e melodias, e o programa gera a voz. Em 2016, a influenciadora digital Lil Miquela também passou a lançar músicas. Nesses projetos, havia pessoas responsáveis por escrever, produzir e tomar decisões artísticas.

A IA generativa tornou mais simples criar, em conjunto, a voz, a música e a imagem de um artista. Outros projetos recentes incluem Xania Monet, criada pela poeta americana Telisha “Nikki” Jones, que escreve as letras e usa o sistema Suno para completar as faixas. Nyla Stone, associada à compositora Desireé Perea Garrido, também alcançou ouvintes com canções em espanhol. A popularidade de personagens assim tem alimentado dúvidas sobre a transparência com o público e sobre quem deve ser reconhecido como autor.

A dimensão do fenômeno aparece nos dados da Deezer: a plataforma recebe cerca de 90 mil músicas totalmente geradas por IA por dia, ante aproximadamente 10 mil quando ativou sua ferramenta de detecção, em janeiro de 2025. Em alguns dias de junho, essas faixas representaram mais da metade dos novos envios. A empresa afirma, porém, que elas ainda têm presença limitada entre os usuários e que até 85% das reproduções desse conteúdo em 2025 foram fraudulentas. A Deezer prepara um filtro para permitir que usuários ocultem essas músicas das buscas antes do fim de 2026.

As regras também variam conforme a instituição. O Grammy Latino aceita obras que utilizam IA quando há contribuição humana significativa e verificável, mas exclui trabalhos sem autoria humana substancial. Garrido-Lecca afirma que ainda há debate sobre quanto de intervenção tecnológica pode ser usado antes que uma obra deixe de ser considerada criada por pessoas. Cruz, por sua vez, pretende continuar o projeto de Navarro e não descarta criar um holograma para levar o cantor virtual a apresentações em diferentes países.

Para entender

Vocaloid
É uma tecnologia de síntese vocal usada para criar vozes cantadas a partir de letras e melodias inseridas por usuários. O termo também é associado a personagens virtuais, como Hatsune Miku, cuja voz é produzida por software.

Fontes: O Globo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

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