Artista Sebas morre aos 82 anos após carreira no cinema e teatro
José Sebastião Maria de Souza morreu em 11 de setembro, em São Paulo, semanas após descobrir um câncer; também atuou na música e na cenografia.
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Conhecido como Sebas, José Sebastião Maria de Souza construiu uma trajetória em várias áreas da cultura, do cinema marginal ao teatro e à música. Nascido em Terra Roxa, no interior paulista, também trabalhou com produção musical, cenografia e preservação de acervos. Morreu em São Paulo, aos 82 anos.
José Sebastião Maria de Souza, conhecido como Sebas, artista que atuou no cinema, no teatro e na música, morreu em 11 de setembro, em São Paulo, aos 82 anos. Ele teve um câncer descoberto semanas antes da morte e também trabalhou com produção musical, cenografia e preservação de acervos culturais.
Nascido em 29 de fevereiro de 1944, em Terra Roxa, no interior paulista, Sebas cresceu em uma família de oito irmãos. Ainda criança, mudou-se com a família para o bairro da Aclimação, na capital. Iniciou o curso de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP), mas interrompeu a graduação durante a ditadura militar, segundo a filha Thaia Cacciamali.
No fim dos anos 1960 e começo dos 1970, aproximou-se do cinema marginal brasileiro, movimento marcado por produções independentes, orçamentos reduzidos e linguagem experimental. Sebas participou de filmes do período e colaborou com cineastas como Luiz Sérgio Person. Também realizou trabalhos independentes no sítio da família e, mais tarde, atuou na Boca do Lixo, região central de São Paulo que se tornou um polo de produção cinematográfica.
Sua carreira se estendeu a diferentes áreas. No Museu da Imagem e do Som (MIS), participou de um projeto de preservação e releitura da história da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Dirigiu documentários sobre São Paulo exibidos pela TV Cultura e filmes como “Coração Materno” e “O Quarto da Viúva”. No teatro, esteve à frente de montagens como “Duas Mulheres que Dançam” e “Quando as Máquinas Param”.
Sebas também dirigiu apresentações de artistas como Inezita Barroso e a dupla Tonico e Tinoco, além de trabalhar com cenografia. A filha dizia que ele brincava ao se definir como “biscateiro”, em referência à variedade de ocupações que assumia no meio cultural.
Depois de se separar, criou sozinho as filhas Thaia e Clariça. Ele as levava a sets de filmagem, ensaios e outros locais de trabalho, integrando a rotina de pai à vida artística. Mais tarde, casou-se com Dirce Akamine, com quem permaneceu até o fim da vida.
“Meu pai é um cara superponta firme, superleal ao que ele sente, ao que ele acredita, e sempre disposto. É um cara que tem empatia pelo próximo. Faz o bem sem esperar nada. Eu acho essa generosidade dele uma coisa tão legal que eu espero ter aprendido com ele”, afirmou Thaia.
Sebas deixou a mulher, as duas filhas, duas netas e amigos e admiradores.