PF prende Márcio Canella e Marcus Amim em operação sobre postos
A oitava fase da Operação Unha e Carne apura suspeita de lavagem de dinheiro em uma rede de combustíveis no Rio; seis pessoas foram presas.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Federal prendeu Márcio Canella e Marcus Amim na oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga suspeita de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio. Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. Ao fim da ação, seis pessoas haviam sido presas.
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) e o ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amim. As detenções foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e integram a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio.
A operação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Canella foi preso no condomínio onde mora, na Barra da Tijuca; Amim foi detido em Icaraí, em Niterói. Ao fim da ação, seis pessoas haviam sido presas.
A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de usar os postos como instrumento para ocultar a origem de recursos. Um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à PF, aponta movimentação superior a R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. A investigação busca esclarecer como os recursos foram movimentados e quem participou do esquema.
Durante as buscas, os agentes apreenderam veículos de luxo, armas, dinheiro em espécie, joias, relógios, aparelhos eletrônicos e documentos. O material poderá ser analisado pelos investigadores e contribuir para o avanço do caso. As prisões preventivas são medidas cautelares e não significam, por si só, condenação dos investigados.
A fase desta quinta-feira é a oitava da operação, que vem reunindo investigações sobre suspeitas de crimes e relações entre agentes públicos e grupos criminosos no estado. A primeira etapa da Unha e Carne decorreu da Operação Zargun, que prendeu o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. A PF apontou suspeita de que ele atuasse como elo político entre o Comando Vermelho e o Legislativo fluminense.
Na primeira fase, o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi preso sob suspeita de repassar a TH Joias informações sobre uma operação policial. Ele foi solto dias depois. Na segunda etapa, em 16 de dezembro, a PF prendeu o desembargador Macário Júdice Neto, relator do caso no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), após identificar mensagens trocadas entre ele e Bacellar no celular do parlamentar.
Bacellar voltou a ser preso em 27 de março, em Teresópolis, na terceira fase. A decisão de Moraes mencionou indícios de vazamento de informações para dificultar uma ação da PF contra o Comando Vermelho e determinou a perda do mandato parlamentar. A quarta fase levou à prisão, em 6 de maio, do deputado estadual Thiago Rangel e de outras seis pessoas, investigadas por suspeitas de fraudes em compras de materiais e contratações de serviços, incluindo reformas, na Secretaria estadual de Educação.
A quinta fase, no início de julho, teve como ponto de partida uma lista de supostos pagamentos de propina atribuída ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, com ao menos 20 nomes, entre eles políticos. O pastor Márcio Poncio foi preso, enquanto o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral foi alvo de busca e apreensão.
Em 7 de julho, na sexta fase, Canella já havia sido preso após a PF encontrar um fuzil em seu carro. Ele ficou detido em Bangu Oito, no Complexo de Gericinó, e foi solto em seguida. Amim também foi alvo da PF naquela etapa. Na sétima fase, o vereador Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, conhecido como Jorge Canella, foi preso em flagrante no fim de setembro, após a apreensão de dois fuzis e uma submetralhadora em sua casa. A investigação não aponta parentesco entre ele e Márcio Canella; o vereador adotou o nome em razão da aproximação política com o deputado.
Canella foi o segundo candidato mais votado para a Alerj nas eleições de 2026, com mais de 197 mil votos. Amim ocupou cargos de destaque na segurança pública do estado, entre eles os de secretário de Polícia Civil e presidente do Detran-RJ.