Washington Post critica STF após fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA
O editorial também critica Alexandre de Moraes e a decisão de bloquear o X no Brasil, além de questionar a concentração de poderes no Supremo.
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Em editorial, o Washington Post afirma que a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos expõe problemas na democracia brasileira. O texto critica a concentração de poderes no STF e cita decisões de Alexandre de Moraes, incluindo o bloqueio do X. A publicação ressalva que a viagem não prova a inocência do senador.
O jornal americano The Washington Post afirmou, em editorial publicado nesta quarta-feira (28), que a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos expõe problemas na democracia brasileira. O senador do PL chegou a Miami após perder o segundo turno da eleição presidencial, segundo o texto, que também critica a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e cita o ministro Alexandre de Moraes.
Intitulado “Quando juízes se tornam promotores”, o editorial diz que a viagem não comprova a inocência de Flávio nos processos criminais que enfrenta. Mas avalia que o fato de ele não acreditar que terá um julgamento justo representa uma acusação contra a democracia brasileira. O texto afirma que, em uma democracia, a derrota eleitoral não deveria levar candidatos a deixar o próprio país.
A publicação atribui ao STF uma concentração excessiva de poderes. Segundo o editorial, ministros da Corte teriam acumulado funções de investigação, acusação e julgamento em processos relacionados a ataques à democracia e à disseminação de desinformação.
Moraes é mencionado por ter determinado a apreensão dos passaportes de Flávio. O jornal também cita a decisão do ministro, em 2024, de bloquear a rede social X no Brasil e exigir que Apple e Google dificultassem o acesso a aplicativos capazes de contornar a proibição. O editorial classificou a medida como um ataque à liberdade de expressão e comparou a situação brasileira à de países como China, Irã e Turcomenistão.
A determinação sobre os passaportes foi tomada após pedido da Polícia Federal, conforme a matéria sobre a viagem. A medida cautelar proibia Flávio de deixar o país e previa a entrega dos documentos em 24 horas. Como eles não foram entregues no prazo, os passaportes foram cancelados. O descumprimento de uma cautelar pode, em tese, fundamentar um pedido de prisão preventiva, mas não significa que uma prisão tenha sido decretada.
O editorial também sustenta que a concentração de poderes pode reduzir a confiança no sistema de Justiça e gerar incerteza para cidadãos e investidores. Para o jornal, o Estado de Direito depende de decisões baseadas em leis, procedimentos previsíveis, possibilidade de recurso, punições proporcionais e proteção aos acusados.
A publicação não afirma que a viagem de Flávio prove que ele seja inocente ou culpado. O senador é investigado sob suspeita de lavagem de dinheiro em uma apuração que envolve o advogado Willer Tomaz. Separadamente, a Constituição prevê a perda do mandato de senador por faltas injustificadas a pelo menos um terço das sessões ordinárias de uma sessão legislativa; a ausência no exterior, por si só, não equivale automaticamente a esse número de faltas.