PF investiga saída de Flávio Bolsonaro após ordem sobre passaporte
Uma das matérias afirma que o senador usou passaporte italiano para entrar na Argentina; a PF apura a rota e possível apoio para deixar o Brasil.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Federal investiga como Flávio Bolsonaro chegou à Argentina e se recebeu ajuda para seguir aos Estados Unidos, após uma ordem judicial para entregar o passaporte. Os horários e detalhes do trajeto divergem nos relatos. A corporação afirma que, por enquanto, a viagem não caracteriza condição de foragido.
A Polícia Federal investiga como o senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e se recebeu apoio de aliados, servidores ou estruturas partidárias para chegar à Argentina e seguir aos Estados Unidos. A viagem ocorreu na terça-feira, 27 de outubro, e o parlamentar desembarcou nos Estados Unidos na manhã de quarta-feira, 28, após cruzar a fronteira com a Argentina e fazer escala no Equador.
Flávio viajou com a esposa e as duas filhas. Segundo o governo argentino, a família entrou no país usando documentos oficiais; uma matéria informa que o senador apresentou passaporte italiano. A Polícia Federal disse que não há registro oficial da saída dele pelos postos de controle migratório brasileiros. A apuração busca esclarecer o percurso entre Brasília e a fronteira, inclusive se houve ajuda para contornar a ordem judicial de entrega do passaporte.
Os relatos sobre os horários da viagem divergem. O governo argentino indicou a entrada da família às 22h50 de terça-feira, enquanto outro registro citado na cobertura aponta 23h52. A partida de Porto Iguaçu também aparece com horários diferentes: 23h30, em um relato, e 0h22, em outro. A família teria seguido em um jato particular, com escala em Guayaquil, no Equador, antes de chegar a Miami.
A Polícia Federal examina possíveis rotas por Foz do Iguaçu e por aeródromos particulares da região, além de trajetos que poderiam ter passado por Cascavel. Também considera a possibilidade de voo direto do Brasil para a Argentina. Até o momento, não há confirmação sobre o veículo ou o caminho usados no trecho brasileiro. Uma empresa de turismo negou ter transportado a família, embora imagens de uma van associada à companhia tenham circulado na imprensa argentina.
A saída ocorreu depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinar que Flávio entregasse o passaporte. A restrição ao documento, por si só, não impedia a prisão ou a vigilância do senador. A Polícia Federal afirmou que a viagem não configura, neste momento, condição de foragido e que não havia medida cautelar que autorizasse essas ações.
A investigação também procura identificar quem organizou ou financiou o deslocamento. Flávio é alvo de apurações no Supremo sobre sua relação com o advogado Willer Tomaz, a origem de recursos destinados ao filme *Dark Horse* e suspeitas de financiamento estrangeiro ao Partido Liberal e de interferência externa no processo eleitoral. A apuração sobre a viagem pode alcançar outras pessoas se surgirem indícios de participação no descumprimento da ordem judicial, mas qualquer responsabilização depende de provas.