Flávio Bolsonaro chega a Miami após ordem sobre passaportes
A Polícia Federal pediu o cancelamento dos documentos depois que o senador não os entregou no prazo fixado pelo ministro Alexandre de Moraes.
Resumo em 30 segundos
Flávio Bolsonaro chegou a Miami nesta quarta-feira após deixar o Brasil pela Argentina e seguir de avião pelo Equador. A viagem ocorreu apesar da ordem de Alexandre de Moraes para que entregasse os passaportes e não saísse do país. A Polícia Federal pediu o cancelamento dos documentos após o prazo vencer.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência, chegou a Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira, 28 de outubro, depois de deixar o Brasil na noite de segunda-feira pela fronteira com a Argentina. A viagem ocorreu após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinar que ele entregasse os passaportes e não saísse do país.
Flávio viajou acompanhado da mulher, Fernanda, e das duas filhas. Depois de cruzar a Argentina, seguiu de avião para Guayaquil, no Equador, e chegou a Miami na manhã desta quarta-feira. O deslocamento ocorreu apesar da ordem judicial, e a Polícia Federal (PF) pediu o cancelamento dos passaportes após o fim do prazo para a entrega dos documentos.
A decisão de Moraes atendeu a um pedido da PF, apresentado no domingo, 25, depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarar a derrota de Flávio. A corporação apontou risco de fuga, citando vínculos do senador com pessoas de recursos elevados, a existência de apoio para uma permanência prolongada nos Estados Unidos e declarações públicas do irmão dele, Eduardo Bolsonaro, que recomendou que deixasse o Brasil caso não fosse eleito.
Entre os elementos considerados pela PF está a investigação sobre uma possível participação de Flávio como sócio oculto do advogado Willer Tomaz em uma empresa de apostas. Os dois são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro, e a apuração também examina possível evasão de divisas. A PF afirmou que Tomaz estava fora do Brasil desde agosto e teria recursos para permanecer no exterior por tempo indeterminado.
Outro inquérito investiga a destinação de recursos ligados ao filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador. A PF suspeita que valores obtidos para financiar a produção possam ter sido usados para custear a permanência de Eduardo nos Estados Unidos. Uma terceira apuração, relatada pelo ministro Flávio Dino, trata da destinação de emendas parlamentares para o filme.
Flávio havia afirmado em vídeo publicado nas redes sociais que cumpriria a determinação de entregar os documentos. No dia seguinte, notícias sobre sua presença na Argentina foram divulgadas, enquanto aliados e pessoas próximas não conseguiam confirmar onde ele estava. O governo argentino informou que não havia impedimento legal nem mandado de prisão que barrasse a entrada do senador e da família no país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que autorizaria a entrada de Flávio e de seus familiares, e o Departamento de Estado confirmou a concessão de vistos. Trump também criticou o resultado das eleições brasileiras, vencidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e chamou o pleito de “muito estranho”, embora tenha negado envolvimento na disputa.
A saída de Flávio ocorre em meio a outros casos de aliados de Jair Bolsonaro que deixaram o Brasil enquanto eram investigados ou respondiam a processos. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde o começo de 2025. Ele perdeu o mandato por excesso de faltas e foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto por tentativa de interferir no julgamento do pai.
O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem deixou o Brasil por terra, atravessando a Guiana sem passar por posto migratório, e atualmente mora nos Estados Unidos. Condenado no processo sobre a trama golpista, teve a prisão decretada depois que a fuga foi descoberta.
A ex-deputada Carla Zambelli, condenada a dez anos de prisão por envolvimento em invasão hacker a sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi para a Itália após deixar o Brasil. Ela chegou a ser presa no país europeu, mas foi libertada em maio, depois que a Corte de Cassação italiana revogou a decisão que autorizava sua extradição.
Já Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foi preso em dezembro de 2025 no aeroporto de Assunção, no Paraguai, ao tentar embarcar para El Salvador. Ele havia rompido a tornozeleira eletrônica e foi condenado pelo STF a 24 anos e seis meses de prisão por participação na trama golpista; atualmente cumpre pena em Brasília.