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Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Viridis fecha acordo para fornecer terras raras à Solvay por sete anos

Os embarques à unidade da empresa belga na França estão previstos para 2028, mas a construção em Poços de Caldas depende de crédito e licença ambiental.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Paisagem montanhosa de Minas Gerais com instalações industriais de um projeto de terras raras. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Paisagem montanhosa de Minas Gerais com instalações industriais de um projeto de terras raras.
Resumo em 30 segundos

A mineradora australiana Viridis fornecerá à Solvay pelo menos 70% da produção de neodímio e praseodímio, além de disprósio e térbio, por sete anos. Os embarques do projeto em Poços de Caldas devem começar em 2028. A construção ainda depende da captação de dívida e de uma licença ambiental.

A mineradora australiana Viridis assinou na quarta-feira (4) um contrato de sete anos para fornecer terras raras de seu projeto em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, à Solvay. Os embarques para a fábrica da empresa belga em La Rochelle, na França, devem começar em 2028, mas o empreendimento ainda depende de financiamento e de uma licença ambiental para avançar à construção.

O acordo prevê que a Viridis entregue à Solvay pelo menos 70% da produção de neodímio e praseodímio, usados em ímãs permanentes, além de disprósio e térbio. A empresa belga terá também direito de primeira oferta sobre o restante. A Viridis estima produzir 2,96 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras contidos em carbonatos, um produto intermediário do beneficiamento mineral.

Na unidade francesa, os carbonatos serão refinados e separados em óxidos individuais, que podem ser usados pela indústria. A Solvay também vai licenciar tecnologia e apoiar a produção dos carbonatos no Brasil. A extração por solvente, tecnologia que a empresa pretende trazer ao país, separa os elementos químicos presentes na mistura e é uma etapa importante do processamento de terras raras.

O contrato de fornecimento pode ajudar a Viridis a obter empréstimos para construir o projeto. A companhia prevê financiar o empreendimento com 70% de dívida e 30% de capital próprio. A parcela de capital próprio foi alcançada em agosto e totalizou US$ 154 milhões, incluindo recursos da empresa e compromissos de investidores institucionais, entre eles a gestora One Investment Management (OneIM) e as brasileiras ORE e Régia Capital.

O investimento total previsto é de US$ 449 milhões. A maior parte ainda precisa ser captada por meio de dívida, e a Viridis mantém conversas com bancos europeus e três instituições brasileiras, incluindo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A empresa também tem apoio formal de agências de crédito à exportação da França, da Austrália e do Canadá. Em setembro, obteve R$ 77,5 milhões do BNDES para financiar uma planta-piloto.

A decisão final de investimento depende da estruturação completa do financiamento e da emissão da licença de instalação pelo órgão ambiental de Minas Gerais. A Viridis espera receber a autorização entre dezembro e janeiro de 2027. Até lá, o projeto permanece em fase pré-operacional, sem produção comercial.

O ativo fica no Complexo Alcalino de Poços de Caldas, formação geológica associada a um antigo vulcão. A região também abriga um projeto da australiana Meteoric Resources, cuja venda à empresa Lynas foi anunciada no mês passado, em uma transação avaliada em R$ 3,5 bilhões. A operação da Viridis é um dos projetos que podem ampliar a produção brasileira de terras raras, hoje concentrada comercialmente na mina da Mineração Serra Verde.

Terras raras são um conjunto de elementos químicos usados em produtos e tecnologias como ímãs permanentes. Embora o nome sugira escassez, eles não são necessariamente raros na crosta terrestre; a dificuldade está em encontrá-los em concentrações que permitam extração econômica e em separá-los. O refino é uma etapa complexa e está majoritariamente concentrado na China, o que tem levado países ocidentais a buscar outras fontes e rotas de processamento.

O presidente da Viridis, Rafael Moreno, afirmou que o contrato com a Solvay reforça a possibilidade de obter crédito ao garantir uma saída comercial para parte da produção. Ele disse que a companhia pretende seguir de forma independente até iniciar as operações e que não tem planos de mudança de controle. Moreno também declarou que a empresa espera contribuir para o processamento no Brasil com a transferência de tecnologia da parceira.

Fontes: Valor Econômico

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