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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Solvay fecha acordo para comprar terras raras de mina no Brasil

O contrato prevê que ao menos 70% da produção da mina Colossus abasteça a fábrica francesa de La Rochelle a partir de 2028.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Paisagem de uma mina a céu aberto com estruturas industriais ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Paisagem de uma mina a céu aberto com estruturas industriais ao fundo.
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A Solvay assinou um acordo de longo prazo com a australiana Viridis Mining and Minerals para comprar terras raras de uma futura mina no Brasil. Pelo menos 70% da produção será enviada à unidade francesa de La Rochelle a partir de 2028. O contrato também prevê pisos de preço, direito de primeira oferta e apoio técnico da Solvay.

A Solvay, empresa química belga, assinou nesta quarta-feira (4) um acordo de longo prazo com a australiana Viridis Mining and Minerals para comprar terras raras de uma futura mina no Brasil. As remessas para a unidade de processamento da Solvay em La Rochelle, na França, devem começar em 2028 e abastecer a produção de ímãs fora da China.

O contrato prevê que pelo menos 70% da produção da mina seja enviada à fábrica francesa. A Solvay terá ainda direito de primeira oferta sobre o volume restante e estabelecerá pisos de preço, uma garantia para a Viridis caso os valores das terras raras caiam. Segundo o executivo-chefe da empresa australiana, Rafael Moreno, o acordo também deve ajudar a obter financiamento para desenvolver o projeto.

A Viridis mantém conversas com bancos europeus sobre um pacote de financiamento que, segundo Moreno, deve ser concluído ainda em 2026. A empresa também negocia com governos e possíveis compradores na Europa, nos Estados Unidos, no Japão e na Coreia do Sul. A União Europeia, afirmou o executivo, tem buscado apoiar o projeto e os bancos envolvidos.

A mina Colossus, da Viridis, produzirá terras raras leves, como neodímio e praseodímio, e pesadas, como disprósio e térbio. Esses elementos são usados, entre outras aplicações, na fabricação de ímãs permanentes, componentes importantes para veículos elétricos, equipamentos de energia renovável e eletrônicos avançados. Também são empregados em usos médicos e militares.

A unidade de La Rochelle é uma das maiores instalações de separação e purificação de terras raras fora da China. Neste ano, a Solvay ampliou o processamento de terras raras pesadas no local, com investimento adicional que pode chegar a 20 milhões de euros. Em 2025, a fábrica acrescentou uma linha de produção de ímãs de terras raras na Europa.

O acordo inclui ainda o licenciamento de tecnologia e suporte técnico da Solvay para que parte do material seja processada no local da futura mina. A planta francesa opera há mais de 75 anos, e o fornecimento brasileiro pode contribuir para manter sua atividade no longo prazo, segundo o executivo-chefe da Solvay, Philippe Kehren.

A negociação ocorre em meio à busca por fontes de terras raras fora da China, que domina a mineração e o processamento desses materiais. Pequim e Washington discutem estender a trégua comercial atual, prevista para terminar em janeiro. O Pentágono também anunciou que deixará de comprar ímãs e outros componentes essenciais de origem chinesa a partir desse mês.

Kehren afirmou que clientes e autoridades econômicas da Europa, dos Estados Unidos e do Japão procuram novas fontes para diversificar o fornecimento. Moreno disse que a Viridis recebeu visitas de grupos governamentais em suas instalações no Brasil e que há poucos projetos de mineração de terras raras em produção fora da China.

Para entender

Terras raras
Grupo de elementos químicos usados em produtos como ímãs permanentes, eletrônicos e equipamentos de energia. Apesar do nome, não são necessariamente escassos na crosta terrestre; a dificuldade está em encontrar concentrações economicamente viáveis e separar e processar os elementos.
Ímãs permanentes
Ímãs que mantêm seu campo magnético sem depender de uma corrente elétrica contínua. Os fabricados com terras raras podem ser fortes e compactos, características úteis em motores, geradores e diversos equipamentos eletrônicos.

Fontes: Valor Econômico

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