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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

BMS fecha acordo de risco para imunoterápicos contra câncer de pulmão

Contrato com o A.C.Camargo prevê créditos para reposição de ipilimumabe e nivolumabe se houver progressão da doença, evento adverso grave ou morte em 90 dias.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Frascos de medicamentos sobre um balcão em uma sala de tratamento oncológico. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Frascos de medicamentos sobre um balcão em uma sala de tratamento oncológico.
Resumo em 30 segundos

A Bristol-Myers Squibb fechou com o A.C.Camargo seu primeiro acordo de compartilhamento de risco em oncologia no Brasil. O contrato envolve ipilimumabe e nivolumabe para câncer de pulmão de não pequenas células e prevê créditos para reposição dos medicamentos em situações definidas durante 90 dias. Não há reembolso em dinheiro.

A Bristol-Myers Squibb (BMS) fechou com o A.C.Camargo Cancer Center seu primeiro acordo de compartilhamento de risco em oncologia no Brasil. O contrato envolve ipilimumabe e nivolumabe, imunoterápicos usados no tratamento de câncer de pulmão de não pequenas células, e prevê créditos para reposição dos medicamentos em determinadas situações durante 90 dias de avaliação.

Pelo acordo, se o paciente apresentar progressão da doença, tiver um evento adverso grave relacionado aos remédios ou morrer no período estipulado, a farmacêutica fornecerá créditos ao hospital para a troca por novos frascos. O contrato não prevê reembolso em dinheiro. A iniciativa busca vincular parte do pagamento ao resultado observado no tratamento, em vez de considerar apenas a entrega do medicamento.

O ipilimumabe e o nivolumabe são imunoterapias: atuam sobre mecanismos do sistema imunológico para ampliar sua capacidade de reconhecer e combater o câncer. A combinação é indicada como primeira opção para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células, o tipo mais comum da doença. O acordo não se refere a tratamento de melanoma.

Os medicamentos têm alto custo, e o valor acumulado pode crescer ao longo de meses ou anos. Dados da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) citados no acordo indicam preço máximo ao governo de R$ 20 mil para o ipilimumabe de 50 miligramas. Para o nivolumabe, os valores variam de R$ 3,7 mil a R$ 22,6 mil, conforme a apresentação, de 40 a 600 miligramas. Esses preços máximos não representam necessariamente o valor efetivamente pago em cada contrato.

O diretor comercial e de marketing do A.C.Camargo, Rafael Ielpo, afirmou que o custo dos tratamentos se torna mais expressivo quando se considera o uso prolongado. O hospital já havia firmado seis acordos desse tipo desde 2022: quatro com a Roche, um com a Pfizer e um com a Adium. O contrato com a BMS é o sétimo da instituição.

A farmacêutica também tem cartas de intenção assinadas com o Einstein Hospital Israelita e a Unimed Porto Alegre. Além disso, submeteu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sua primeira terapia celular CAR-T no país, cuja emissão está prevista para 2027. Terapias CAR-T modificam células de defesa do próprio paciente para que reconheçam e ataquem células cancerígenas.

A adoção desses modelos no setor público ainda enfrenta desafios. Segundo Rubens Granja, sócio da área de saúde do TozziniFreire, contratos baseados em resultados exigem segurança jurídica, governança de dados e regras adequadas de acompanhamento. Compras públicas costumam ser estruturadas para pagamento por produto entregue, o que torna mais complexa a remuneração condicionada à resposta do paciente.

Granja citou como exemplo de acordo em execução no Sistema Único de Saúde (SUS) uma parceria com a Novartis para oferecer terapia gênica contra a atrofia muscular espinhal. No setor privado, a expansão também depende de estruturas capazes de acompanhar a evolução clínica e de definir como os riscos e os custos serão compartilhados.

Para entender

Compartilhamento de risco
Modelo de contrato em que parte do pagamento ou da reposição de medicamentos depende de resultados definidos previamente. Para acompanhar a resposta ao tratamento, as partes precisam estabelecer critérios, prazos e formas de registrar os dados clínicos.
Câncer de pulmão de não pequenas células
Grupo que reúne a maioria dos cânceres de pulmão. O nome o diferencia do câncer de pulmão de pequenas células, outro tipo da doença com características próprias.
Imunoterapia
Tratamento que estimula ou modifica a atuação do sistema imunológico para ajudar o organismo a reconhecer e combater doenças, incluindo alguns tipos de câncer.

Fontes: Valor Econômico

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