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Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

MRV defende industrialização para reduzir impacto da jornada de 40 horas

A transição prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 42 horas a partir de dezembro; a empresa estima que métodos industrializados podem cortar custos em 15%.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Robô de pintura trabalha na fachada de um prédio em construção, acompanhado por um trabalhador com equipamento de segurança. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Robô de pintura trabalha na fachada de um prédio em construção, acompanhado por um trabalhador com equipamento de segurança.
Resumo em 30 segundos

A MRV vê na industrialização e na automação formas de elevar a produtividade diante da redução da jornada semanal para 40 horas. Eduardo Fischer afirma que métodos industrializados podem diminuir em 15% os custos de produção. A empresa testa robôs, enquanto a Minas Brisa importa equipamentos para diferentes tarefas em obras.

A discussão sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal para 40 horas levou a MRV a defender mais industrialização e automação na construção civil. Eduardo Fischer, co-CEO da empresa, afirma que a mudança pode afetar os custos do setor e que ganhos de produtividade serão importantes para absorver o impacto.

A proposta prevê reduzir o limite semanal de 44 para 40 horas, com um período de transição: a jornada cairia para 42 horas a partir de dezembro, antes de chegar ao novo teto. Fischer disse que a MRV ainda não calculou o efeito financeiro da alteração, mas observou que a companhia pratica atualmente as 44 horas semanais. A mudança também reacende dúvidas sobre quando a jornada de 40 horas entrará em vigor; pelo cronograma descrito, a primeira etapa começa em dezembro.

A construção civil trabalha para compensar a redução do tempo de trabalho por meio de processos mais produtivos. Fischer estima que a adoção de métodos industrializados poderia diminuir em 15% o custo de produção, resultado que, segundo ele, mais do que neutralizaria os efeitos da mudança na jornada.

Um entrave à produção em escala é a variação das regras municipais para aprovar projetos habitacionais. As exigências mudam de uma cidade para outra, inclusive em aspectos como a dimensão dos cômodos e a presença de janelas nos banheiros. Essa diversidade leva construtoras a adaptar plantas e dificulta produzir componentes padronizados em grandes quantidades.

Fischer defende regras baseadas em normas técnicas de desempenho, que estabelecem requisitos mínimos sem determinar exatamente como cada imóvel deve ser projetado. Com parâmetros mais uniformes, empresas poderiam desenvolver modelos adequados a diferentes regiões e organizar a produção como uma linha industrial. O executivo também propõe incentivos para municípios que adotem diretrizes comuns, como juros menores no financiamento imobiliário para compradores.

A reforma tributária pode ajudar nesse processo, segundo Fischer, porque permitirá que construtoras aproveitem créditos tributários na compra de serviços industrializados de outras empresas. O co-CEO vê espaço para a criação de uma cadeia nacional de componentes e módulos prontos, como banheiros fabricados fora do canteiro e instalados durante a obra. A Resia, empresa americana do grupo MRV, já tem uma fábrica desse tipo de módulo nos Estados Unidos.

Além de reduzir custos, a industrialização pode encurtar o prazo das obras e o período em que o capital da construtora fica comprometido. Fischer também aponta a dificuldade de encontrar trabalhadores para os canteiros, onde as atividades podem ser pesadas, desgastantes e perigosas. Na avaliação dele, a pressão por mão de obra tende a aumentar.

A MRV está testando robôs para tarefas da construção, incluindo a pintura de fachadas, uma etapa que Fischer descreve como lenta e arriscada. A automação ainda está em fase inicial, mas pode transferir trabalhadores para funções de operação e qualificação, em vez de simplesmente eliminá-los, segundo os executivos citados.

A incorporadora Minas Brisa, de Belo Horizonte, representa na América do Sul a fabricante chinesa BMR. A empresa tem 12 robôs no Brasil e espera receber mais 40 até o fim de novembro. Os equipamentos realizam serviços como limpeza, pintura, nivelamento e lixamento de pisos e paredes; cada máquina é operada por um trabalhador treinado para a função.

Os robôs podem custar mais de R$ 1 milhão cada. O fundador da Minas Brisa, Marcos Magalhães, afirma que o investimento pode se pagar em cerca de seis meses, pois algumas máquinas executam tarefas até duas vezes mais rápido que um trabalhador. A empresa também aluga os equipamentos e aponta como vantagens a redução do desperdício e a regularidade do serviço.

Fontes: Valor Econômico

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