Lynas compra Meteoric e incorpora projeto de terras raras em Minas
A Lynas Rare Earths comprará a Meteoric Resources por US$ 672 milhões, incorporando o projeto Caldeira, no sul de Minas, ao grupo australiano.
Resumo em 30 segundos
A Lynas Rare Earths anunciou a compra da Meteoric Resources por cerca de US$ 672 milhões, incorporando o projeto Caldeira, em Minas Gerais. O empreendimento prevê produção anual média de 12,5 mil toneladas de óxidos de terras raras e reservas para 23 anos. A transação ocorre enquanto empresas buscam alternativas ao domínio chinês no setor.
A australiana Lynas Rare Earths anunciou a aquisição da também australiana Meteoric Resources por um valor estimado em US$ 672 milhões, cerca de R$ 3,5 bilhões. O negócio inclui o projeto Caldeira, de terras raras, localizado na região de Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, e amplia a presença da Lynas no Brasil.
A transação ocorre em meio à disputa global por fontes de terras raras fora da China, que concentra a maior parte da mineração, do refino e da fabricação de produtos finais. O movimento também reflete a busca de empresas ocidentais por suprimentos alternativos para materiais usados em ímãs permanentes e em setores como eletrônicos, veículos elétricos, equipamentos médicos, energia e defesa.
O Caldeira concluiu seu estudo de viabilidade econômica em julho. O projeto prevê investimento próximo de US$ 500 milhões, montante que a Meteoric teria de levantar no mercado de capitais ou por meio de parceiros para avançar. Com a aquisição, o desenvolvimento passa a integrar uma companhia que já opera etapas de extração, concentração e produção de materiais avançados em outros países.
O plano para Caldeira estima produção média anual de 12,5 mil toneladas de óxidos de terras raras. Entre os produtos previstos estão 3.862 toneladas de neodímio e praseodímio, 127 toneladas de disprósio e térbio, 297 toneladas de samário, 193 toneladas de gadolínio e 623 toneladas de ítrio. As reservas do projeto, formadas por minerais em argilas iônicas, são estimadas como suficientes para 23 anos de operação nos níveis atuais.
Rodrigo Menck, consultor especializado em finanças e mineração, avaliou que a entrada da Lynas pode dar maior relevância estratégica ao Caldeira e facilitar o acesso a capital. Segundo ele, projetos brasileiros de terras raras estão amadurecendo e começam a necessitar de financiamento para passar à etapa de implantação. Menck afirmou que, sob o controle da Lynas, o projeto ganha perspectivas de avançar além da mineração.
Francisco Alves, diretor editorial da Brasil Mineral e especialista do setor, também considerou a operação importante para o projeto. Ele afirmou que a aquisição cria novas perspectivas para Caldeira e se alinha à exigência prevista na nova lei brasileira para o setor de minerais críticos, aprovada pelo Congresso, de avançar na cadeia produtiva dos elementos de terras raras.
O presidente do conselho da Lynas, John Humphrey, disse em comunicado que a expansão para um novo país ajudará a companhia a manter sua posição na cadeia global de fornecimento e a atender à demanda de clientes. Ele também afirmou que o Brasil tem um setor de mineração consolidado e favorável a investimentos. Andrew Tunks, CEO da Meteoric, descreveu Caldeira como um depósito de alto teor, com recuperação elevada e potencial de expansão.
Segundo informações apresentadas sobre a operação, a empresa se comprometeu a avançar no Brasil nas etapas posteriores à mineração e à produção de concentrado. Elas incluem separação, refino e fabricação de ímãs permanentes, atividades que exigem domínio tecnológico. A intenção foi apresentada ao governo brasileiro antes da promulgação, em 16 de setembro, da nova lei para minerais críticos.
A compra é a segunda grande transação envolvendo projetos brasileiros de terras raras neste ano. Em fevereiro, a empresa norte-americana USA Rare Earths adquiriu a Serra Verde Mineração por US$ 2,8 bilhões, aproximadamente R$ 14 bilhões. A Serra Verde opera uma unidade industrial em Minaçu, no norte de Goiás, e planeja ampliar a produção de óxidos de terras raras; a produção prevista será exportada aos Estados Unidos para etapas de separação, refino e fabricação de ímãs.
A Lynas é baseada na Austrália Ocidental e tem operações em Mount Weld, na Austrália, e em Kuantan, na Malásia. É a maior produtora de terras raras separadas fora da China e uma das poucas empresas não chinesas com produção comercial de terras raras pesadas, incluindo disprósio e térbio. A companhia também produz neodímio e praseodímio e iniciou neste ano a produção de óxido de samário.
O Brasil abriga projetos em diferentes estágios de desenvolvimento e é apontado como detentor da segunda maior reserva de minerais de terras raras do mundo. A presença de empresas australianas no setor brasileiro inclui, além da Meteoric, a Viridis Mining & Minerals, a Brazil Rare Earth e a Saint George Mining. A aquisição coloca o Caldeira sob o controle de um grupo com experiência em processamento e comercialização internacional desses materiais.
Quem é quem
- Lynas Rare Earths
- Empresa australiana de mineração e processamento de terras raras, sediada em Perth. Opera instalações na Austrália Ocidental e na Malásia e é apresentada como a maior produtora de terras raras separadas fora da China.
- Meteoric Resources
- Companhia australiana de recursos minerais que desenvolve o projeto Caldeira, de terras raras, na região de Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. A Lynas anunciou a aquisição da empresa e a incorporação do projeto.
- Projeto Caldeira
- Empreendimento de terras raras da Meteoric localizado no sul de Minas Gerais. O estudo de viabilidade econômica foi concluído em julho; o plano prevê produção anual média de 12,5 mil toneladas de óxidos e reservas calculadas para 23 anos de operação nos níveis atuais.