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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Vídeos falsos usam cantores para vender Stabilon contra diabetes

Anúncios no TikTok usam imagens e vozes de Leonardo, Daniel e Xororó e levam a páginas de venda ou ao WhatsApp; não há prova de eficácia.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Celular com vídeo de um cantor genérico ao lado de frascos sem rótulo e de um medidor de glicose. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Celular com vídeo de um cantor genérico ao lado de frascos sem rótulo e de um medidor de glicose.
Resumo em 30 segundos

Vídeos manipulados com inteligência artificial simulam recomendações dos cantores Leonardo, Daniel e Xororó para vender Stabilon e Olharix como tratamentos contra diabetes. As ofertas prometem resultados rápidos e desqualificam medicamentos prescritos. Especialistas alertam que interromper o tratamento pode trazer complicações graves, e a orientação é consultar um profissional de saúde.

Vídeos manipulados com inteligência artificial (IA) usam imagens e vozes dos cantores Leonardo, Daniel e Xororó para anunciar produtos apresentados como tratamentos para diabetes. As publicações, feitas no TikTok, promovem o Stabilon e o Olharix — este último descrito como colírio — e levam interessados a páginas de venda ou conversas pelo WhatsApp.

Os anúncios prometem controlar a doença em poucos dias e desqualificam medicamentos prescritos, como o Glifage, à base de cloridrato de metformina, e a insulina. Não há comprovação de que os produtos anunciados sejam eficazes contra diabetes. A estratégia pode causar prejuízo financeiro e levar pacientes a interromper tratamentos necessários.

As peças simulam depoimentos dos artistas e falas de um suposto médico identificado apenas como “doutor André”. Os vídeos recorrem à fama dos cantores para dar aparência de confiança às ofertas e incluem relatos sobre saúde, autoestima e dificuldades sexuais ou conjugais. Em uma publicação atribuída a Xororó, o tratamento é anunciado por parcelas de “oitenta e poucos reais por mês”.

Os materiais não apresentam dados que permitam verificar a identidade e a qualificação do profissional, como nome completo, formação, número de registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) ou endereço de consultório. O contato por WhatsApp também é usado para encaminhar a oferta e acelerar a negociação.

Uma análise dos áudios pela TruthScan, ferramenta de detecção de conteúdo gerado por IA, apontou 62% de probabilidade de a voz atribuída a Leonardo ser sintética. Nos trechos associados a Daniel e Xororó, o índice foi de 73%. A ferramenta avalia sinais de possível geração artificial; os percentuais não equivalem, por si só, a uma confirmação definitiva sobre a origem de cada áudio.

Também há indícios visuais de manipulação. Em uma das gravações, a mão esquerda de Leonardo aparece deformada, e algumas cenas se repetem. A fluência das falas do cantor e do apresentador também causa estranheza. Os vídeos usam imagens retiradas de gravações reais, mas os registros originais não mostram os artistas recomendando os produtos.

Um dos trechos foi extraído do programa “Viver Sertanejo”, da TV Globo, em que Daniel recebeu Chitãozinho e Xororó em 22 de dezembro de 2024. Outro veio de uma entrevista de Leonardo ao jornalista André Piunti, gravada nos bastidores de um show e publicada no YouTube em maio de 2024. A assessoria de Leonardo afirmou que ele não mencionou nem divulgou os produtos e que, por isso, o vídeo é falso. As equipes de Daniel e Xororó não se pronunciaram.

A endocrinologista Daniela Gebrim alertou que suspender medicamentos contra diabetes sem orientação pode aumentar o risco de complicações a longo prazo. Entre elas estão danos aos rins, perda de visão ligada à retinopatia diabética, lesões nos nervos, problemas cardiovasculares e cetoacidose diabética, uma complicação grave que pode exigir internação.

O perigo é especialmente alto para pessoas com diabetes tipo 1, que dependem de insulina. Segundo Gebrim, a interrupção do medicamento, mesmo por poucos dias, pode desencadear cetoacidose. A decisão de alterar ou parar um tratamento deve ser discutida com um profissional de saúde; anúncios e promessas de resultado rápido não substituem avaliação médica.

Para verificar um medicamento, é possível consultar a regularidade do produto no Brasil nos canais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Também é recomendável conferir se a publicidade aparece nos canais oficiais do artista citado e desconfiar de ofertas que encaminham o consumidor para uma conversa privada, sem identificação verificável de quem vende ou prescreve.

Publicações suspeitas podem ser denunciadas ao TikTok pela opção “Relatar” e à Anvisa por canais oficiais, como o Fala.BR. Quem tiver prejuízo financeiro deve avisar o banco, guardar comprovantes e registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil. Em pagamentos via Pix, o cliente pode pedir ao banco a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED), procedimento que busca recuperar valores em casos de fraude, mas não garante que o dinheiro será devolvido.

O nome Stabilon, usado nos anúncios como suposto tratamento para diabetes, não deve ser confundido com uma recomendação médica ou com prova de eficácia. A orientação é não comprar nem iniciar um produto com base em vídeo de celebridade e não abandonar medicamentos prescritos sem conversar com o profissional responsável pelo acompanhamento.

Fontes: Zero Hora

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

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