Anvisa alerta que ashwagandha é proibida em suplementos no Brasil
Produtos vendidos como suplemento prometem benefícios como aliviar a ansiedade e melhorar o sono, mas não têm segurança e eficácia comprovadas no país.
Resumo em 30 segundos
A Anvisa afirma que a ashwagandha não é autorizada como ingrediente de suplementos alimentares no Brasil e que produtos com a planta não podem ser fabricados, vendidos ou usados. Apesar disso, anúncios prometem benefícios para a saúde. A agência também alerta para riscos do uso inadequado de suplementos e recomenda orientação profissional.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou na última semana que a ashwagandha não é autorizada como ingrediente de suplementos alimentares no Brasil. Apesar da proibição, produtos com a planta são oferecidos em sites brasileiros em cápsulas e em pó, com promessas de aliviar ansiedade, melhorar o sono e controlar o cortisol, entre outros efeitos.
A agência afirma que esses produtos não têm qualidade, eficácia e segurança comprovadas no país. Eles não possuem registro e, por isso, fabricação, venda, distribuição e uso são proibidos. A ashwagandha, também chamada de ginseng indiano, é uma planta usada na medicina tradicional ayurvédica, mas essa tradição não substitui a avaliação regulatória nem comprova a segurança dos produtos comercializados.
Nas páginas de venda, os anúncios também associam o suplemento ao aumento da testosterona, à fertilidade, ao ganho de massa muscular e ao emagrecimento. Há ainda alegações de que a planta combateria depressão e células cancerosas. A Anvisa ressalta que suplementos alimentares servem para complementar a alimentação e não podem ser apresentados como produtos para curar, tratar ou prevenir doenças.
O alerta da agência foi divulgado após a repercussão de um caso envolvendo uma britânica. Segundo a Anvisa, ela apresentou falência do fígado, paradas cardíacas e danos cerebrais depois de consumir o produto. O comunicado não detalhou a investigação do caso.
A popularidade da ashwagandha nas redes sociais, incluindo o TikTok, cresceu com afirmações de que ajudaria no relaxamento e nos sintomas da perimenopausa. Essas alegações não alteram a situação regulatória da planta no Brasil. A Anvisa exige que suplementos sejam formulados com ingredientes autorizados.
Mesmo produtos regularizados podem causar efeitos adversos ou interagir com medicamentos quando usados de forma inadequada. A agência também alerta que tentar aliviar sintomas por conta própria com suplementos pode atrasar a investigação de uma doença.
A indicação de suplementação deve ser avaliada por profissionais de saúde, considerando as condições de cada pessoa, a alimentação e a prática de atividade física. Quando há necessidade de complementar a dieta, cabe a esses profissionais orientar qual produto usar, a quantidade e a forma e o momento de consumo.