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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Ueno Bank tem operações suspensas após crise de solvência no Paraguai

Deputados da oposição pedem impeachment de Santiago Peña, enquanto promotores formalizam acusações contra 27 pessoas ligadas ao banco.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Agência bancária fechada no Paraguai durante a crise do Ueno Bank. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Agência bancária fechada no Paraguai durante a crise do Ueno Bank.
Resumo em 30 segundos

O Banco Central do Paraguai suspendeu as operações do Ueno Bank após identificar problemas de solvência. A intervenção deixou clientes sem acesso às contas e levou promotores a apresentar acusações contra 27 pessoas. A crise também provocou um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña, ex-acionista de um grupo controlador do banco.

O Banco Central do Paraguai assumiu o controle do Ueno Bank na terça-feira, 3, após identificar problemas de solvência, e suspendeu as operações da instituição. A crise deixou clientes sem acesso às contas e abriu uma frente política para o presidente Santiago Peña, que havia sido acionista de um grupo controlador do banco até março de 2025. Nesta quarta-feira, deputados opositores apresentaram um pedido de impeachment contra ele e o vice-presidente Pedro Alliana.

O conselho do Banco Central decidiu por unanimidade colocar o Ueno em resolução, procedimento que transfere a gestão a funcionários encarregados de avaliar as finanças e preservar os ativos da instituição. A autoridade monetária informou que a medida busca proteger os depositantes e manter a estabilidade do sistema financeiro. A intervenção ocorreu depois que a fiscalização apontou que as reservas do banco estavam abaixo do mínimo exigido.

O Ueno tem cerca de 2,9 milhões de clientes, aproximadamente metade da população paraguaia. A instituição também recebeu depósitos e investimentos de órgãos públicos. Os valores divulgados variam: uma estimativa aponta cerca de US$ 850 milhões de recursos públicos, enquanto outra contabiliza aproximadamente US$ 355 milhões provenientes do Instituto de Previdência Social (IPS). Os números se referem a categorias e recortes diferentes e não devem ser somados.

O Ministério Público determinou a detenção de oito pessoas ligadas à instituição, entre elas o presidente do conselho, Juan Manuel Gustale, e o executivo Federico Miguel Vázquez Villasanti. Nesta quarta-feira, promotores apresentaram acusações formais contra 27 pessoas, incluindo administradores do banco e representantes de empresas investigadas. As suspeitas incluem fraude, administração irregular de recursos e descumprimento de obrigações contábeis; as acusações ainda serão apuradas pela Justiça.

A investigação examina empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno. Segundo as autoridades, parte das operações pode ter sido realizada sem garantias suficientes ou acima dos limites legais, e os investigadores apuram se houve circulação de recursos entre empresas do mesmo grupo. O Banco Central já havia notificado o banco em junho para adequar empréstimos às regras e apontado problemas em documentos e na comprovação de algumas operações.

Peña pediu a renúncia de Carlos Carvallo, que deixou a presidência do Banco Central na terça-feira. Antes de assumir o cargo, Carvallo havia dirigido a financeira Ueno. O presidente indicou o economista Raúl Vera Bogado para comandar a autoridade monetária e Pedro Acosta e Étsel González para a diretoria. As três nomeações precisam de aprovação do Senado.

O pedido de impeachment apresentado por deputados da oposição tem 35 assinaturas e acusa Peña de mau desempenho no cargo, conflito de interesses e questionamentos sobre a evolução de seu patrimônio. Para aprovar a abertura do processo na Câmara, são necessários 53 votos entre 80 deputados. Se o pedido avançar, o Senado julgará o caso; a destituição exige 30 votos entre os 45 senadores. Peña nega irregularidades e afirmou que os problemas investigados estão concentrados no Ueno, sem comprometer o sistema financeiro do país.

Clientes se reuniram diante de agências fechadas em diferentes pontos do Paraguai e protestaram em Assunção, inclusive perto da residência oficial do presidente. O fundo de garantia de depósitos cobre até 228,3 milhões de guaranis por pessoa, valor estimado suficiente para ressarcir integralmente cerca de 97% dos depositantes. A lei prevê pagamento em até 15 dias após a intervenção, com possibilidade de uma prorrogação. O Banco Central anunciou que pretende liberar primeiro até 10 milhões de guaranis por cliente, mas ainda não informou a data.

Quem tem valores acima do limite enfrenta incerteza sobre o ressarcimento integral. O fundo de pensões estatal informou que os benefícios continuarão sendo pagos e que transferirá para outro banco cerca de 32 mil aposentados que recebiam pelo Ueno. A instituição também planeja recorrer à Justiça para recuperar o dinheiro investido.

Fontes: Estadão, Gazeta do Povo, Valor Econômico

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