Senadores pedem que Santiago Peña troque cúpula do Banco Central
O pedido ocorre após investigação administrativa sobre o ueno bank; Carlos Carvallo presidiu a instituição antes de assumir o comando do regulador.
Resumo em 30 segundos
Senadores governistas e da oposição pedem que o presidente paraguaio, Santiago Peña, destitua a cúpula do Banco Central. O regulador é questionado pela supervisão do ueno bank, que está sob investigação administrativa. O caso ganhou força após um relatório sobre empréstimos do banco a empresas ligadas à instituição provocar novas cobranças.
Senadores governistas e da oposição pedem que o presidente do Paraguai, Santiago Peña, destitua a cúpula do Banco Central, em meio a questionamentos sobre a supervisão do ueno bank. A instituição digital está sob investigação administrativa, e seu crescimento acelerado e vínculos anteriores de seus dirigentes com o grupo controlador ampliaram a pressão política sobre o regulador.
O presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo, comandou o ueno bank de 2021 até agosto de 2023, quando assumiu o cargo público. Peña, por sua vez, foi sócio do grupo proprietário do banco até março de 2025. A instituição afirma que o presidente nunca foi acionista nem investidor do próprio banco.
O BCP declarou que Carvallo se declarou impedido de participar de decisões relacionadas ao ueno e negou a existência de conflito de interesses. Também defendeu a estrutura de governança da autoridade monetária e afirmou que a supervisão segue de forma independente os procedimentos previstos em lei.
O ueno afirmou que vai “cooperar plenamente” com o Banco Central e que a investigação administrativa preliminar não equivale à constatação de irregularidades. O caso ganhou visibilidade depois que um relatório do BCP enviado ao Senado neste mês, elaborado para esclarecer dúvidas sobre empréstimos do banco a empresas ligadas à instituição, provocou novas perguntas de parlamentares, entidades bancárias e grupos empresariais.
O senador governista Gustavo Leite pediu a substituição das autoridades do Banco Central e disse que elas perderam credibilidade. O oposicionista Rafael Filizzola afirmou que o sistema financeiro estava “sofrendo” e apresentou outro pedido de informações sobre o ueno.
A Associação de Bancos do Paraguai, que reúne 14 instituições privadas, entre elas o Itaú, divulgou em 18 de outubro um comunicado segundo o qual a resposta do Banco Central ao Senado foi incompleta. Já os títulos globais do ueno sofreram uma onda de vendas. Na semana passada, a Fitch Ratings mudou de estável para negativa a perspectiva dos papéis da empresa, uma avaliação que indica piora na percepção de risco de crédito.
O ueno passou de fintech local a banco de médio porte e afirma ter três milhões de clientes. A instituição diz administrar entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em recursos públicos, equivalentes a aproximadamente R$ 4,04 bilhões a R$ 4,29 bilhões.
A disputa também ocorre em meio a tensões dentro do Partido Colorado, legenda governista, sobre a escolha de seu candidato à Presidência nas eleições gerais de 2028. Em declarações à imprensa local no início de outubro, Peña classificou o caso como uma questão técnica levada à arena política e afirmou que isso causou “um dano tremendo à imagem de todo o país”.
A controvérsia põe em foco a credibilidade da supervisão financeira paraguaia, enquanto o país busca preservar a confiança de investidores. O Paraguai recebeu grau de investimento da Moody’s em 2024 e da S&P Global no ano passado. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê crescimento de 4,5% para a economia paraguaia neste ano, quase o dobro da média regional.