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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Banco Central do Paraguai intervém no Ueno Bank após insolvência

A intervenção bloqueou contas e investimentos, e oito dirigentes foram presos; o Banco Central ainda prepara um plano para devolver os valores retidos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Clientes diante da entrada fechada de um banco em uma rua do Paraguai. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Clientes diante da entrada fechada de um banco em uma rua do Paraguai.
Resumo em 30 segundos

O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank após considerar a instituição insolvente. Clientes ficaram sem acesso a contas e investimentos, enquanto a autoridade monetária prepara um plano para devolver os valores retidos. Oito pessoas ligadas à direção do banco e ao Grupo Vázquez foram presas, e a investigação também examina movimentações de outras entidades.

O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank depois de considerar a instituição insolvente, e o banco suspendeu o atendimento e bloqueou o acesso de clientes a contas e investimentos. Na noite de terça-feira, oito dirigentes e executivos ligados à instituição e ao Grupo Vázquez, seu controlador, foram presos no Paraguai. A autoridade monetária trabalha em um plano para devolver os valores retidos aos correntistas.

Insolvência é a incapacidade de uma instituição de cumprir seus compromissos financeiros. A intervenção do Banco Central busca conter a crise e administrar a situação da instituição, enquanto as autoridades avaliam os próximos passos para os clientes. O bloqueio deixou correntistas sem acesso a recursos e investimentos mantidos no banco.

Uma agente fiscal afirmou que a investigação começou pela análise das condutas dos dirigentes e também examinará movimentações realizadas por outras entidades. A apuração poderá determinar se houve responsabilidades além das pessoas presas. A declaração foi feita em espanhol: “Empezamos a analizar las conductas de los directivos del banco. Vamos a analizar también con el equipo de trabajo como se realizaron ciertos movimientos para ir determinando si habría algún tipo de responsabilidad en otras entidades”.

Entre os detidos está Juan Manuel Gustale Cardoni, de 41 anos, que presidia o Ueno Bank. Ele tem mais de 14 anos de experiência em regulação financeira e administração pública, e obteve mestrado em Direito Bancário e Regulação Financeira pela London School of Economics e em Administração Pública pela Universidade Harvard.

Antes de chegar à presidência do banco, Gustale integrou o conselho do Banco Nacional de Fomento entre 2017 e 2021 e ocupou diferentes funções no Banco Central do Paraguai. Entre elas estão as de diretor jurídico da Superintendência de Bancos, chefe de gabinete do conselho de administração e superintendente de Risco de Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo.

Também foi preso Federico Miguel Vázquez Villasanti, de 36 anos, primeiro vice-presidente do banco e presidente do Grupo Vázquez, principal acionista da instituição. Vázquez é fundador do Ueno e foi diretor-executivo da Credicentro, empresa ligada à trajetória empresarial de sua família.

Diana Leticia Mongelós González, de 40 anos, ocupava a segunda vice-presidência. Advogada, ela participou da operação de fusão do Ueno com o Visión Banco como representante deste último e integrou o conselho de administração formado após a incorporação. A fusão foi formalizada por meio de um acordo definitivo e alterou a estrutura societária e administrativa da instituição.

Entre os outros presos estão Diego Fernando Duarte Schussmuller, economista e integrante do conselho do Ueno; Alejandro Gómez Abente, também conselheiro, com trajetória no mercado de capitais e em instituições financeiras internacionais; e Julio Daniel Rey Fernández, que ocupou a segunda vice-presidência. Registros citados na cobertura indicam que Rey ainda aparecia nessa função em junho de 2025.

Também foram detidas Mariana Isabel Torres Rubiani, diretora do Ueno após a fusão com o Visión Banco, e Miguel Ángel Almada Frutos, síndico do banco e da Ueno Seguros. Almada também informou atuar como diretor jurídico do Grupo Vázquez. Os oito têm vínculos com a direção do banco, com a operação de fusão ou com o grupo controlador.

Seis dos presos homens passaram a noite na Agrupación Especializada da Polícia Nacional, unidade que recebe detidos sob custódia judicial ou preventiva, inclusive por questões de segurança ou falta de vagas no sistema penitenciário comum. As duas mulheres foram encaminhadas à Comissaria de Mulheres. O comissário Isidro Gamarra disse que os seis homens ficaram no mesmo espaço e receberam cocido com coquito: uma bebida quente feita com erva-mate tostada e biscoitos ou pãezinhos típicos.

A crise atinge clientes que mantinham contas ou investimentos no Ueno, mas a intervenção não significa, por si só, que todos os recursos tenham sido perdidos. O Banco Central ainda analisa como será feita a devolução dos valores retidos. Até que o plano seja definido, os correntistas permanecem sem acesso aos recursos bloqueados, enquanto a investigação examina a gestão do banco e possíveis responsabilidades de outras entidades ligadas às movimentações.

Fontes: O Globo

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