Trump diz que EUA vão suspender US$ 4 bilhões em ajuda a Israel
Em entrevista, o presidente afirmou ter acertado a medida com Netanyahu, mas não detalhou qual modalidade de financiamento será encerrada nem como isso ocorrerá.
Resumo em 30 segundos
Donald Trump afirmou que os Estados Unidos deixarão de repassar US$ 4 bilhões anuais a Israel até o fim de 2026, após um acordo com Binyamin Netanyahu. O presidente não especificou qual ajuda será suspensa. O anúncio não esclarece o futuro do memorando que prevê US$ 3,8 bilhões anuais em assistência militar até setembro de 2028.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 3, que Washington deixará de repassar a Israel US$ 4 bilhões por ano até o fim de 2026. Em entrevista ao programa “Fox & Friends”, ele disse ter acertado a suspensão dos pagamentos com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e declarou que os Estados Unidos ainda ajudarão o país se necessário.
Trump afirmou que Israel não precisa mais do financiamento americano e que continuará podendo comprar armas dos Estados Unidos. Ele não especificou qual modalidade de ajuda será encerrada nem explicou como a mudança ocorrerá até o fim do ano. O gabinete de Netanyahu não havia comentado a declaração até a tarde desta terça-feira.
O anúncio não esclarece como se relaciona com o acordo de assistência militar em vigor. O memorando de entendimento entre os dois países prevê US$ 3,8 bilhões anuais e termina em setembro de 2028; Washington e Tel-Aviv já discutem o formato da ajuda depois desse prazo. O financiamento é autorizado por lei, mas a liberação dos recursos depende da aprovação anual de verbas pelo Congresso americano.
A ajuda dos Estados Unidos a Israel também inclui financiamento militar previsto no memorando, enquanto Trump disse que o país poderá continuar comprando armamentos americanos. Na entrevista, o presidente afirmou que a suspensão dos pagamentos evitaria críticas de políticos que questionam o apoio financeiro. Ele citou Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan e crítico da ajuda militar incondicional a Israel.
“Porque eles não precisam disso, e porque por que deveríamos sofrer as críticas de lunáticos como El-Sayed quando eles não precisam disso? É um argumento ruim, muito ruim”, disse Trump. Ele acrescentou que os Estados Unidos ajudariam Israel caso o país precisasse.
A fala ocorre após a queda do apoio público americano a Israel desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em 2023. Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac feita em junho apontou que 48% dos americanos e 66% dos democratas consideravam excessivo o apoio dos Estados Unidos ao país. Quando a mesma pergunta foi feita pela primeira vez, em 2017, os índices eram de 16% e 20%, respectivamente.
Em outubro, Netanyahu afirmou que Israel não deveria contar com a continuidade da assistência nos mesmos moldes. O premiê disse que os Estados Unidos mudaram e que o país precisava se preparar para não receber a ajuda que havia garantido anteriormente.
Para entender
- Memorando de entendimento
- É um acordo que estabelece a assistência militar americana a Israel por um período determinado. O memorando em vigor prevê US$ 3,8 bilhões anuais e termina em setembro de 2028; os dois países já discutem como será a ajuda depois desse prazo.