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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

EUA e Israel planejam novos ataques ao Irã após eleições de novembro

A possível operação dependeria de Donald Trump e poderia atingir instalações nucleares, energia e arsenais de mísseis e drones; as negociações seguem.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Aeronaves militares no convés de um porta-aviões ao entardecer. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Aeronaves militares no convés de um porta-aviões ao entardecer.
Resumo em 30 segundos

Estados Unidos e Israel preparam planos para uma possível nova ofensiva contra o Irã após as eleições de meio de mandato americanas, em novembro. A decisão cabe a Donald Trump, que já adiou ataques. Enquanto as negociações continuam, autoridades iranianas ameaçam retaliar e ampliar o alcance do conflito na região.

Estados Unidos e Israel elaboraram planos para retomar os ataques contra o Irã depois das eleições de meio de mandato americanas, previstas para novembro. A possibilidade de uma nova operação, que autoridades descrevem como curta e intensa, ainda depende de uma decisão do presidente Donald Trump, que adiou ofensivas em ocasiões anteriores, inclusive neste mês.

Os planos incluem possíveis ataques a instalações nucleares, estruturas de energia e arsenais iranianos de mísseis e drones. Forças dos dois países ampliaram exercícios e praticaram manobras de ataque em voos sobre o Iraque, enquanto o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, se reuniu nesta semana em Israel com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu para discutir novas ações.

A eleição de meio de mandato nos Estados Unidos é a votação realizada no meio do mandato presidencial, quando os eleitores escolhem representantes para o Congresso. Neste caso, a disputa de novembro é considerada por autoridades e analistas um fator político que pode influenciar o momento de uma eventual ofensiva. Trump prometeu no início deste mês que não atacaria antes da votação, embora autoridades digam que ainda existe uma pequena possibilidade de ação neste mês.

O contingente militar americano previsto para a operação deve estar totalmente mobilizado no início de novembro. Ele inclui três porta-aviões, milhares de fuzileiros navais, caças e forças de operações especiais. A preparação também considera o período de escuridão noturna, que se prolonga no Irã no começo do próximo mês e pode favorecer operações aéreas.

A escalada ocorre após uma primeira fase de ataques de Estados Unidos e Israel, entre fevereiro e abril, e quase oito meses de conflito. Segundo autoridades, uma nova onda poderia atingir a economia iraniana e pressionar o governo a fazer concessões diplomáticas. Alguns estrategistas americanos defendem que uma campanha de três dias seria suficiente para provocar danos econômicos significativos, mas outros integrantes do governo e analistas duvidam que a pressão consiga mudar a posição de Teerã.

Dana Stroul, que foi responsável pela política do Pentágono para o Oriente Médio durante o governo de Joe Biden, afirmou que os ataques convencionais, as sanções econômicas e o bloqueio naval dos Estados Unidos não levaram o Irã a negociar de forma significativa. Ela também disse que Trump e Netanyahu não apresentaram uma justificativa convincente para acreditar que uma nova guerra resolveria o impasse. Stroul trabalha atualmente no Instituto de Washington para Política do Oriente Próximo.

As negociações continuam, e os Estados Unidos usam a possibilidade de voltar à guerra como instrumento de pressão. Washington busca concessões relacionadas ao programa nuclear iraniano e ao controle do Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte de petróleo. Os negociadores iranianos, porém, têm resistido a discutir o programa nuclear nesta etapa e defendem que o tema seja tratado mais adiante.

Uma das instalações consideradas como possível alvo é a Montanha Pickaxe, complexo nuclear subterrâneo que os iranianos chamam de Kooh Kolang. Trump disse na semana passada que avaliava usar contra o local a bomba GBU-43/B MOAB, conhecida como “Mãe de todas as bombas”. Especialistas em armamentos afirmam que ela foi projetada para explodir acima do solo e provavelmente não destruiria uma instalação enterrada em granito; militares também alertam que o avião necessário para lançá-la ficaria exposto à defesa antiaérea iraniana.

A possibilidade de retaliação amplia o risco de o confronto se espalhar pela região. Autoridades iranianas afirmam que responderão e que seus alvos poderiam incluir, além de navios comerciais e estruturas energéticas, centros de dados e cabos submarinos de internet. Um analista político em Teerã, Peiman Salehi, disse que uma resposta iraniana poderia atingir refinarias sauditas, entre elas instalações da Aramco, para pressionar os Estados Unidos por meio do aumento dos preços do petróleo e da energia.

Nesta quarta-feira, o Departamento de Estado americano ordenou que funcionários governamentais não essenciais e seus familiares deixassem a Arábia Saudita. A medida foi tomada enquanto os houthis, grupo apoiado pelo Irã, continuam atacando alvos no país. Um funcionário da Casa Branca afirmou que o governo não comenta planos militares que podem ou não existir e declarou que Trump considera todas as opções para impedir que o Irã obtenha armas nucleares. Segundo autoridades, a estratégia pode evitar refinarias e instalações petrolíferas para limitar o impacto sobre os preços da gasolina.

A política israelense também pode afetar o calendário. Israel realizará eleições em 27 de outubro; se Netanyahu perder, poderá permanecer como primeiro-ministro interino, condição que, segundo especialistas, dificultaria o início de uma guerra. Analistas também avaliam que ele poderia usar a ameaça de uma operação conjunta para tentar formar um governo de unidade, embora enfrente desconfiança de adversários políticos.

Do lado iraniano, o novo líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, permanece pouco conhecido pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos e de Israel. Autoridades iranianas dizem estar cientes dos preparativos militares e afirmam que já planejam alvos e táticas de resposta. Mahdi Mohammadi, assessor do negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf, rejeitou a ideia de que os Estados Unidos poderiam encerrar uma nova campanha em 72 horas e afirmou que o Irã decidiria quando a guerra terminaria.

Fontes: Estadão

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