Irã diz que nova guerra não mudará política sobre Ormuz
Araghchi defende a saída de forças estrangeiras, enquanto Teerã reivindica controle sobre a passagem; o Estreito de Ormuz não pertence exclusivamente ao Irã.
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O chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que uma nova guerra não alteraria as políticas do país e defendeu a ausência de forças estrangeiras na região. As negociações com os Estados Unidos estão paralisadas, e as tensões no Estreito de Ormuz persistem, apesar da redução recente dos ataques a embarcações.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo (25), em Teerã, que uma eventual retomada da guerra com Estados Unidos e Israel não alteraria as políticas iranianas. As negociações entre Teerã e Washington estão praticamente paralisadas, em meio a ameaças de novos ataques contra o país.
“Recentemente, tem-se falado de uma nova guerra, mas eu já estou pensando no período após a guerra. Aconteça guerra ou não, nossas políticas continuam sendo as mesmas”, disse Araghchi durante um evento. Ele afirmou que os dois países já atacaram o Irã duas vezes e que uma nova tentativa não produziria resultado diferente.
Na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Washington “poderia fazer outra pequena ‘Fúria Épica’”, em referência à ofensiva de Israel e dos Estados Unidos iniciada em 28 de fevereiro. Um cessar-fogo assinado em 8 de abril interrompeu os combates mais intensos, mas houve disparos esporádicos no Estreito de Ormuz. Os ataques na passagem diminuíram nas últimas semanas.
O estreito é uma rota marítima estratégica para o transporte de energia. Ele fica entre o Irã, ao norte, e Omã e os Emirados Árabes Unidos, ao sul, e liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. A passagem não pertence exclusivamente ao Irã: o país reivindica controle sobre a área e ataca com frequência navios que tentam cruzá-la sem autorização de Teerã.
Em resposta, Washington mantém um bloqueio naval aos portos iranianos e escolta petroleiros durante a travessia. As tensões na região afetam uma rota importante para o abastecimento energético mundial, embora os ataques a embarcações tenham recuado recentemente.
Araghchi disse que a guerra alterou as condições para a navegação e que “as rotas marítimas através do Estreito de Ormuz não serão as mesmas, e a gestão do estreito também não será a mesma”. Ele defendeu que a região avance para a ausência total de forças estrangeiras como caminho para alcançar paz e estabilidade.
Em junho, Irã e Estados Unidos assinaram um memorando de entendimento que estabelecia uma base para buscar uma solução permanente para o conflito. O acordo desmoronou pouco depois, quando os dois lados se acusaram de violar o texto. Conversas indiretas realizadas à margem da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) também terminaram sem avanços.