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Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Casa San José mobiliza voluntários para acompanhar ações do ICE

A entidade oferece orientação jurídica, registra detenções e mantém uma linha de resposta rápida 24 horas para apoiar imigrantes e suas famílias.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Voluntários registram com um celular uma operação de imigração em uma rua residencial. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Voluntários registram com um celular uma operação de imigração em uma rua residencial.
Resumo em 30 segundos

Fundada em Pittsburgh em 2013, a Casa San José presta apoio jurídico e emergencial a imigrantes latinos, independentemente de sua situação migratória. Voluntários acompanham operações do ICE e registram informações que podem ajudar famílias a localizar pessoas detidas. A entidade também oferece ajuda com alimentos, aluguel e custódia temporária de crianças.

A irmã Janice Vanderneck, fundadora da Casa San José, coordena em Pittsburgh, na Pensilvânia, serviços de apoio a imigrantes latinos diante das ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). A organização mantém assistência jurídica e uma equipe de resposta rápida, acionada por telefone 24 horas por dia para acompanhar operações de agentes e registrar detenções.

Fundada em 2013, a Casa San José começou com aulas de inglês e atividades para jovens. Com o aumento das necessidades da comunidade, passou a oferecer orientação jurídica e apoio a famílias afetadas por detenções ou deportações. A associação atende imigrantes independentemente de sua situação legal, com atenção especial a quem não fala inglês e ainda não é cidadão americano.

A equipe de resposta rápida reúne voluntários que se deslocam quando recebem relatos de abordagens do ICE na rua ou em residências. Eles não podem interferir nas detenções, mas podem documentar a ação com celulares e anotar informações sobre a pessoa presa e o local para onde será levada. O registro pode ajudar familiares a localizar detidos e a buscar orientação jurídica.

A Casa San José também organiza visitas a centros de detenção para tentar obter informações sobre pessoas presas. Advogados e voluntários oferecem consultas gratuitas, e a entidade pode prestar ajuda financeira para contratar defesa ou, em alguns casos, viabilizar assistência jurídica pro bono. A possibilidade de liberação depende das circunstâncias do caso e não é garantida.

Entre os serviços estão ainda a busca de custódia temporária para crianças cujos pais foram deportados, ajuda emergencial com alimentos e apoio para pagar aluguel quando o principal provedor da família é detido ou removido do país. A organização também promove treinamentos para preparar imigrantes para possíveis abordagens de agentes federais.

Janice, que foi missionária em vários países, inclusive no Brasil, fala português e espanhol. Segundo ela, mexicanos, guatemaltecos e salvadorenhos estão entre os grupos que mais procuram a Casa San José. A freira afirma que também cresceu a procura de venezuelanos e brasileiros, especialmente de pessoas vindas de Minas Gerais e Goiás.

A ativista critica o modo como o governo classifica imigrantes sem documentos. Ela afirma que pessoas com diferentes situações migratórias podem ser tratadas como se estivessem na mesma categoria, incluindo aquelas que entraram com autorização e aguardam uma decisão sobre pedido de asilo. Quem tem o pedido aceito pode receber autorização temporária de trabalho e número do Seguro Social, mas, segundo Janice, há pessoas que ainda assim são detidas pelo ICE.

A Casa San José avalia as possibilidades de ajudar cada pessoa presa. Janice diz que imigrantes com documentos de asilo em dia e sem antecedentes criminais podem buscar a saída da detenção, mas ressalta que o resultado não é certo. A assistência jurídica e financeira da entidade pode apoiar esse processo, embora a defesa também possa exigir advogado particular.

O serviço telefônico permanente busca permitir que a comunidade peça ajuda assim que souber de uma operação. Em Erie, no noroeste da Pensilvânia, a organização PA United também mantém voluntários para monitorar ações do ICE. Carlos Mora, diretor da entidade, afirma que os participantes procuram resguardar o devido processo legal e registrar as operações; por segurança, segundo ele, apenas cidadãos americanos podem atuar como voluntários nessa função.

A atuação ocorre em meio ao temor de detenções entre latinos, inclusive entre cidadãos americanos, que, segundo Janice, têm evitado sair de casa e participado das atividades da associação por videoconferência. Ela relata conhecer pessoas deportadas para países da África, entre eles Gana, Uganda e Libéria, e diz que algumas enfrentam dificuldades para retornar aos países de origem.

A política migratória também afeta haitianos em Springfield, Ohio. A cidade abriga uma comunidade de cerca de 15 mil pessoas, muitas delas sob o Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês) ou outros programas humanitários. Em julho de 2026, uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos confirmou a retirada da proteção, que abrangia 350 mil haitianos. Desde então, o ICE tem realizado operações e deportações na cidade.

Janice diz que o medo se espalhou entre famílias imigrantes, enquanto apoiadores do presidente Donald Trump defendem a aplicação das leis de imigração e afirmam que a política cumpre uma promessa de campanha. A freira, por sua vez, sustenta que a assistência da Casa San José é necessária para que imigrantes conheçam seus direitos e consigam apoio quando são detidos.

Para entender

ICE
O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos é uma agência federal que atua na aplicação das leis migratórias e na fiscalização aduaneira. A sigla vem do nome em inglês, Immigration and Customs Enforcement.
Status de Proteção Temporária
O TPS é um programa dos Estados Unidos que pode permitir que pessoas de determinados países permaneçam temporariamente no país quando as condições em sua terra natal dificultam um retorno seguro. A proteção não equivale a residência permanente.

Fontes: Estadão

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